Em Londres, uma manifestação em solidariedade com os protestos no Irão
Em Londres, uma manifestação em solidariedade com os protestos no IrãoTOLGA AKMEN/EPA

Pelo menos 16 mortos numa semana de protestos no Irão

Os protestos começaram no passado domingo em Teerão e constituem a maior expressão de descontentamento público no país desde os levantamentos de 2022.
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Pelo menos 16 pessoas morreram durante uma semana de protestos no Irão contra o elevado custo de vida e a inflação galopante, segundo avançaram este domingo, 4 de janeiro, associações de defesa dos direitos humanos.

O grupo curdo de defesa dos direitos humanos Hengaw informou que pelo menos 17 pessoas foram mortas desde o início dos protestos. Já a HRANA, uma rede de ativistas de direitos humanos, disse que pelo menos 16 pessoas foram mortas e 582 foram presas.

De acordo com a Reuters, os confrontos mais intensos foram relatados em partes do oeste do Irão, mas também houve protestos e confrontos entre manifestantes e a polícia na capital, Teerão, em áreas centrais e na província do Baluchistão, no sul do país.

A HRANA e a agência de notícias estatal Tasnim informaram que as autoridades detiveram o administrador de contas online que incitavam aos protestos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou ajudar os manifestantes caso enfrentem violência. "Se o Irão disparar contra manifestantes pacíficos e os matar violentamente, como costuma fazer, os Estados Unidos da América irão em seu auxílio”, disse, acrescentando que os militares norte-americanos estão “prontos, armados e preparados para intervir”.

Uma declaração que levou o representante diplomático do Irão junto das Nações Unidas (ONU) a enviar uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em protesto contra o que considerou uma ingerência do presidente dos Estados Unidos.

"A declaração (...) constitui mais um claro exemplo de interferência nos assuntos internos de um Estado-membro da ONU e viola o direito internacional e a Carta da ONU", lamentou o Representante Permanente do Irão junto das Nações Unidas.

A mensagem de Trump "constitui incitação à violência, à instabilidade e a atos terroristas no Irão. O presidente dos Estados Unidos ameaçou explicitamente a República Islâmica do Irão com o uso da força e intervenção", acrescentou Amir Saeed Iravani.

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A moeda nacional do Irão, o rial, perdeu mais de um terço do seu valor face ao dólar no último ano, enquanto a hiperinflação de dois dígitos tem vindo a corroer o poder de compra dos iranianos há anos, num país sufocado pelas sanções internacionais relacionadas com o programa nuclear de Teerão.

A taxa de inflação em dezembro foi de 52% em comparação com o ano anterior, segundo o Centro Estatístico Iraniano, um organismo oficial.

Nos protestos têm-se ouvido apelos à queda do regime dos ayatollahs, com gritos de "Javid Shah", que significa "vida longa ao xá", e "Pahlavi vai voltar".

Reza Pahlavi, de 65 anos, é o filho mais velho de Mohammad Reza Pahlavi, o último xá do Irão, que morreu no Egito um ano depois de ter sido derrubado na revolução liderada pelo ayatollah Khomeini em 1979.

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