Apelando aos fiéis para que mantenham a "canção da esperança" perante "a violência das guerras" que assolam o mundo, o papa deixou este domingo o seu diagnóstico: "Vemo-lo na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todos os cantos devido aos abusos que esmagam os mais fracos entre nós, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói." Na primeira celebração pascal desde que se tornou chefe da igreja católica, há quase um ano, Leão XVI dirigiu-se à multidão a partir de um altar ao ar livre na Praça de São Pedro, no Vaticano. O papa deixou um apelo aos que “têm o poder de iniciar guerras” para que “escolham a paz”, denunciando também a indiferença em relação às milhares de mortes em conflitos pelo mundo. "Acostumamo-nos à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas, indiferentes às repercussões do ódio e da divisão que os conflitos semeiam", afirmou Leão XIV.Numa Praça de São Pedro adornada com milhares de flores, o Papa denunciou a guerra e as suas consequências “económicas e sociais”. Perante milhares de fiéis que celebravam a ressurreição de Jesus Cristo, Leão XIV discursou sem mencionar nenhum país ou região em crise no mundo, quebrando com a tradição observada durante anos pelos seus antecessores.Na tradicional bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), Robert Prevost anunciou também uma vigília de oração pela paz, a realizar em 11 de abril, na Praça de São Pedro.Na sexta-feira à noite, o primeiro papa americano carregou a cruz durante toda a Via Sacra. O último pontífice a fazê-lo ao longo das 14 estações do percurso fora João Paulo II em 1994. A cerimónia, que marcou a celebração da Sexta-feira Santa, reuniu milhares de pessoas em torno do Coliseu, em Roma.No final da Via-Sacra, o Papa terá recitado uma oração de São Francisco de Assis, antes de conceder a sua bênção, regressando depois ao Vaticano sem mais palavras..Segundo a agência Ecclesia, a tradição cristã no Coliseu remonta a 1750, tendo sido promovida pelo Papa Bento XIV, "que consagrou o anfiteatro à memória dos mártires e da Paixão de Jesus". Foi o papa João XXIII quem restaurou este rito em 1959, estabelecendo um percurso mantido pelos sucessivos pontífices através do Anfiteatro Flaviano, dos Fóruns Imperiais e do Arco de Constantino.Este domingo, Leão XIV citou o seu antecessor, o papa Francisco, ao alertar contra o risco de cair na indiferença perante "a injustiça persistente, o mal, a indiferença e a crueldade", pois "também é verdade que, no meio das trevas, algo de novo surge sempre à vida e, mais cedo ou mais tarde, dá frutos".O papa tem sido vocal nos apelos ao fim da guerra na Ucrânia e também no Médio Oriente. Este último conflito teve impacto nas tradicionais cerimónias na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, venerada pelos cristãos como o local da crucificação e ressurreição de Cristo, tendo sido reduzidas ao abrigo de um acordo com a polícia israelita. As autoridades impuseram limites ao número de participantes em reuniões públicas devido aos ataques com mísseis que se têm multiplicado nas últimas semanas, desde o início dos ataques de Israel e dos EUA contra o Irão, a 28 de fevereiro.As restrições também afetaram o recente mês sagrado muçulmano do Ramadão e o feriado do Eid al-Fitr, bem como o atual festival judaico da Páscoa, com duração de uma semana. No domingo, a bênção sacerdotal judaica no Muro das Lamentações, que junta habitualmente dezenas de milhares de fiéis, ficou limitada a apenas 50 pessoas..Papa Leão XIV vai carregar a cruz durante toda a Via Sacra. É o primeiro a fazê-lo nos últimos 32 anos