A procuradora-geral, Pam Bondi, é alvo das críticas.
A procuradora-geral, Pam Bondi, é alvo das críticas. EPA/AARON SCHWARTZ / POOL

Pam Biondi exigiu envio de lista de eleitores do Minnesota para terminar ação do ICE. "Extorsão", acusam democratas

Carta enviada pela procuradora-geral dos EUA às autoridades estaduais está a gerar onda de críticas entre democratas. "Nunca teve a ver com segurança ou imigração. É um pretexto para manipular as eleições em estados-chave".
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Uma carta enviada pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, às autoridades do Minnesota, no sábado, para que entreguem as listas de recenseamento eleitoral do estado, está a gerar fortes críticas de políticos democratas norte-americanos.

A carta, que exige a entrega das listas de eleitores do Minnesota, "para acabar com o caos" na região, foi enviada no mesmo dia da morte de um homem, por agentes federais de imigração, na cidade de Minneapolis.

O senador do Arizona, Rubén Gallego, criticou a carta na rede social X e, tal como outros membros do Partido Democrata, argumentou que a administração do Presidente Donald Trump está a tentar manipular o recenseamento eleitoral, para as eleições intercalares de novembro.

"Pam Bondi enviou uma carta às autoridades do Minnesota a dizer: entreguem as listas de recenseamento eleitoral ou o ICE [Serviço de Imigração e Alfândegas] não cederá. Isto é extorsão. Estão a usar o medo para obter informações sobre os eleitores. Nos EUA, a intimidação não pode ser usada para interferir nas nossas eleições", escreveu Gallego.

O recenseamento eleitoral, nos EUA, permite o registo de eleitores pelos diferentes partidos.

Chris Murphy, senador democrata pelo Connecticut, afirmou também na rede X que a carta, que sugere o fim das rusgas em grande escala aos imigrantes no Minnesota, caso o estado cumpra as exigências, demonstra que a operação lançada pela administração Trump contra Minneapolis nas últimas semanas "nunca teve a ver com segurança ou imigração".

"É um pretexto para Trump manipular as eleições em estados-chave", escreveu Murphy.

A carta enviada no sábado por Pam Bondi exige ainda que o Minnesota partilhe todos os dados sobre os programas de assistência federal, como o Medicaid e o Food and Nutrition Service, e revogue as políticas das chamadas 'cidades-santuário' — aquelas em que, como Saint Paul e Minneapolis (a maior do estado), limitam a cooperação com Washington em matéria de imigração.

A intervenção do ICE em Minneapolis foi ordenada pela administração Trump no início de janeiro, quando um ‘youtuber’ conservador alegou a existência de desvio de fundos federais para creches geridas por membros da comunidade somali.

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Donald Trump atacou e insultou diretamente a Somália e a comunidade somali nos EUA, na altura, e disse acreditar que "houve fraude eleitoral no Minnesota", onde perdeu as eleições presidenciais de 2016, 2020 e 2024.

Os agentes da imigração mataram a tiro Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, no sábado, naquele que é o segundo incidente deste tipo em menos de três semanas na cidade, depois do assassínio de uma mulher, Renee Good, em 07 de janeiro, por um agente do ICE.

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram desde então. A detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai, num centro em San Antonio, Texas, aumentou igualmente a indignação de muitos cidadãos que acusam o ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O'Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações naquela cidade do Norte dos Estados Unidos.

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