No domingo, os eslovenos irão às urnas para eleger os 90 membros da câmara baixa do parlamento, o Drazvni Zbor, e consequentemente um novo governo, numas eleições convocadas em janeiro pela presidente Natasa Pirc-Musar, que referiu que este ato eleitoral “marca o início de um período importante para a democracia, no qual os cidadãos voltarão a decidir sobre o futuro do nosso país”. E se há quatro anos este país da União Europeia e da NATO com cerca de dois milhões de habitantes afastou do poder o partido populista de direita de Janez Jansa (SDS) e deu uma vitória esmagadora ao Movimento pela Liberdade (GS), fundado há cinco anos pelo ainda primeiro-ministro Robert Golob, as sondagens mostram que Jansa poderá estar perto de regressar ao poder - todos os estudos de opinião, exceto um, dão a vitória ao SDS com uma vantagem que varia entre os 0,8 e os 9,7 pontos em relação ao GS. A liderança do governo não será uma novidade para Janez Jansa, de 67 anos, que já ocupou o cargo de primeiro-ministro por três vezes - de 2004 a 2008, entre 2012 e 2013, e de 2020 a 2022 - tendo perdido a sua quarta tentativa há quatro anos, depois da derrota do seu Partido Democrático Esloveno, que lidera desde 1993. Antes já havia sido ministro da Defesa de 1990 a 1994, estando no cargo durante a Guerra da Independência da Eslovénia, que se prolongou durante dez dias em 1991. Comunista na juventude, a posição política de Jansa derivou para a direita ao longo da sua carreira, de um dissidente liberal e pró-democracia sob o regime comunista, a político social-democrata, e depois representante da linha dura de direita, tendo sido classificado como um líder de extrema-direita pelo The Independent e pela Foreign Policy em 2020, mas também “populista ao estilo MAGA” pela NPR, “o Trump esloveno” pela Der Spiegel e “mini-Trump” pela Deutsche Welle. De recordar que após as presidenciais de 2020 nos Estados Unidos, ganhas por Joe Biden, Jansa declarou Trump vencedor e publicou uma série de teorias da conspiração sobre a eleição no X.“A popularidade de Janez Jansa e do seu partido SDS tem crescido desde as eleições europeias de 2024. Promovendo valores conservadores na sua campanha, (...) tem defendido uma posição firme contra a imigração e ataca regularmente a imprensa”, refere Helen Levy, investigadora na Fundação Robert Schuman. Sendo atualmente um político populista de direita, o presidente do SDS surge alinhado com outros líderes atualmente no poder noutros países da União Europeia, como Viktor Orbán na Hungria, Robert Fico na Eslováquia e Andrej Babis na República Checa. No entanto, ao contrário deles, sempre apoiou a Ucrânia e a aplicação de sanções contra a Rússia, sendo também um defensor da NATO. De notar ainda que, apesar de ser um crítico do funcionamento da integração europeia, enquanto primeiro-ministro respeitou os acordos europeus e o SDS também se manteve membro do grupo de centro-direita Partido Popular Europeu - ao contrário do que aconteceu com o Fidesz de Orbán e o ANO de Babis, às direita, e o Smer de Fico, à esquerda. “O denominador comum entre todos estes líderes ‘populistas’ é que são fervorosos admiradores de Donald Trump, cujo objetivo, ao que parece, é garantir que a direita conservadora conquiste o máximo de poder possível na Europa. Embora a Eslovénia seja um pequeno país dos Balcãs, as eleições que aí se realizam podem ser vistas como mais um sinal da ascensão das tendências antiliberais na Europa”, nota ainda Helen Levy. Janez Jansa tem outra coisa em comum com Donald Trump: os problemas com a justiça. Em junho de 2013, pouco depois da queda do seu segundo governo, foi condenado a dois anos prisão e a uma multa de 37 mil euros após um tribunal ter considerado que Jansa e outros dois indivíduos solicitaram cerca de 2 milhões de euros de comissões a uma empresa finlandesa, a Patria, para a ajudar a ganhar um contrato de fornecimento militar em 2006. Começou a cumprir a sentença um ano depois, sendo libertado seis meses depois enquanto o Constitucional revia o seu recurso, acabando por ilibado em abril de 2015. Com um cariz mais político, em 1988, Jansa foi detido por suspeita de posse de um documento militar jugoslavo confidencial, descoberto numa busca à empresa onde trabalhava. Juntamente com dois jornalistas da revista Mladina, foi julgado à porta fechada por um tribunal militar sob a acusação de expor segredos militares, acabando condenado a 18 meses de prisão. O processo ficou conhecido como Caso JBTZ e desencadeou protestos em massa contra o governo e acelerou o processo de democratização, conhecido como Primavera Eslovena.Este mês viu-se envolvido numa nova polémica, quando gravações clandestinas de conversas com um influente lobista esloveno, um advogado, um ex-ministro e um empresário foram anonimamente divulgadas nas redes sociais, mostrando os envolvidos a sugerir formas de influenciar o governo de Golob para agilizar procedimentos ou garantir contratos. Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Instituto 8 de Março, a empresa israelita Black Cube, especializada em informações secretas, está por detrás dos vídeos e tem ligações ao SDS de Jansa, que terá recebido na sede do partido, a 22 de dezembro, executivos da empresa. O SDS declarou nunca ter ouvido falar da Black Cube e condenou “a corrupção sem precedentes da elite de esquerda”, revelada, na sua opinião, pelos vídeos..Hungria e outras eleições na Europa que vão marcar 2026.Depois do MAGA nos EUA, extrema-direita sonha com um MEGA na Europa