Uma nova vaga de indignação está a varrer a comunidade de cidadãos britânicos residentes no estrangeiro. Em causa estão as novas regras de controlo de fronteiras que, segundo uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada nesta terça-feira (17), poderão impedir cerca de 1,2 milhões de pessoas de embarcarem em voos, comboios ou ferries com destino ao Reino Unido.As normas, que entram em vigor a 25 de fevereiro de 2026, estipulam que os cidadãos com dupla nacionalidade já não podem viajar para território britânico utilizando apenas o seu passaporte estrangeiro - australiano, francês ou alemão. Em vez disso, são agora obrigados a apresentar um passaporte britânico válido ou certificados de Autorização de (ou, na versão inglesa, do Direito de) Residência (Certificate of Entitlement), cujo custo ascende a 589 libras esterlinas (cerca de 700 euros).Burocracia e custos exorbitantesSegundo os testemunhos recolhidos pelo The Guardian, a medida está a ser recebida com um misto de "asco, fúria e angústia". Entre os casos mais dramáticos destaca-se o de uma antiga funcionária pública de 78 anos, que vive na Austrália há meio século. Para realizar aquela que poderá ser a sua última viagem ao país de origem, Sandra enfrenta agora uma "montanha de burocracia" para provar a sua cidadania, sendo-lhe exigidos documentos originais de há décadas, como Certidões de Nascimento e Casamento, que já não possui.A revolta é partilhada por um residente em França, que descreve a renúncia à cidadania britânica como a única solução viável. Com uma filha que também possui dupla nacionalidade, John (nome fictício) recusa-se a pagar ao governo britânico as 1178 libras esterlinas (cerca de 1400 euros) necessárias para que ambos obtenham a documentação exigida para visitarem a família no Reino Unido, questionando se é este o verdadeiro objetivo das autoridades.Já outra cidadã britânica, de 79 anos e a viver na Alemanha desde 1968, descreve o sentimento de ser "excluída do seu próprio país". A cidadã de dupla nacionalidade aponta a ironia de o seu marido, sendo apenas cidadão alemão, poder entrar no Reino Unido sem quaisquer taxas ou restrições, enquanto ela, britânica de nascimento, é tratada como uma potencial ameaça e obrigada a pagar taxas elevadas pelo privilégio de regressar a casa.Por fim, outra britânica, também a residir em França, decidiu que não voltará a viajar para o Reino Unido. Para esta cidadã, os entraves logísticos revelaram-se insuperáveis, uma vez que o novo certificado digital exige deslocações dispendiosas a Paris ou Marselha para a recolha de dados biométricos, além dos custos exorbitantes com traduções oficiais de documentos.A justificação do governoEm resposta às críticas, um porta-voz do Ministério do Interior (Home Office) explicou que esta medida é necessária para que as transportadoras possam verificar a cidadania britânica de forma eficaz, evitando atrasos ou recusas de embarque. O Governo sublinha ainda que esta abordagem é semelhante à adotada por outros países, como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália.No entanto, para as famílias que dependem destas visitas anuais, como é o caso de idosa, cujos netos vivem na Austrália, o sentimento é de que o governo não ponderou o impacto emocional e prático nestes cidadãos, muitos dos quais já são de idade avançada e não possuem documentos atualizados..Cinco anos depois do Brexit, Starmer quer fazer um 'reset'. Mas ainda não disse como.Governo britânico vai dificultar obtenção de vistos de trabalho e facilitar deportações