Um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), concluiu que o ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar, revelou a imprensa brasileira.Essa conclusão, antecipada pelo jornal Folha de S. Paulo, contraria a versão oficial de que Juscelino, popularmente chamado de "JK", foi vítima de um acidente rodoviário em 1976.A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos é um órgão governamental formado por sete membros e conta com apoio técnico do Ministério dos Direitos Humanos do Brasil. Segundo o relatório, a morte de JK integrou uma ação coordenada de repressão política no contexto da Operação Condor, aliança entre regimes militares sul-americanos durante a Guerra Fria.A relatório elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, sustenta que houve manipulação das investigações da época, omissão de provas e destruição de documentos relacionados ao acidente envolvendo o veículo de JK e um autocarro. O documento de mais de 5 mil páginas e a retificação da certidão de óbito, informou o jornal brasileiro, deve ser aprovado pelos conselheiros da CEMDP em reunião, ainda sem data definida para acontecer.O documento aponta ainda indícios de participação de agentes do Estado e recomendou a reabertura das investigações, além da responsabilização histórica dos envolvidos no caso.O caso de JK foi aberto pela CEMDP em fevereiro de 2025 por decisão do Governo brasileiro, com base num inquérito do Ministério Público Federal, que durou seis anos de trabalho(2013-2019), e identificou falhas graves nas investigações do próprio Estado.O MPF descartou a tese oficial de que tenha havido choque entre o autocarro e o veículo de JK, mas concluiu ser "impossível afirmar ou descartar" a hipótese de atentado político contra o ex-presidente brasileiro.Fundador de Brasília, Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961 e foi um dos principais adversários civis do regime militar instaurado no país em 1964.A sua morte é vista pela imprensa brasileira e por muito historiadores como um dos capítulos mais estranhos e controversos dos 21 anos de duração da ditadura militar no Brasil.