Jornal diz que Kremlin os "matou"
Jornal diz que Kremlin os "matou"EPA/YURI KOCHETKOV

Novaya Gazeta, jornal independente russo, vai fechar por "pressão dos serviços especiais"

Jornal recebeu ordem de despejo ao mesmo tempo que a plataforma que recolhia donativos foi desativada. Antes, o órgão já não conseguia imprimir em papel.
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O jornal independente russo Novaya Gazeta anunciou que vai encerrar portas no próximo dia 9 de novembro, citando pressões dos "serviços especiais russos" como sendo a principal razão para o fazerem.

O Novaya Gazeta era um dos poucos resistentes à máquina mediática do Kremlin, tendo uma linha editorial independente à apresentada pelos órgãos estatais, como a RIA Novosti ou a TASS. Em 2022, o governo russo tinha revogado a sua licença para funcionar, após a invasão da Ucrânia em fevereiro.

"Mataram-nos", lê-se numa publicação do jornal no seu site, onde é explicado que receberam uma carta de despejo das suas instalações ao mesmo tempo que a plataforma que estava a recolher donativos para o jornal foi desativada.

"Trata-se de uma ação coordenada", acusa o editor-chefe do Novaya Gazeta, Sergei Sokolov, dizendo que esta ação se sustentou em "regras externas, impostas pelo aparelho repressivo do Estado, por agentes do FSB [serviços secretos russos] infiltrados sob a capa de cada organização".

"As autoridades bloquearam todos os nossos recursos na internet. O Estado confiscou a nossa tipografia, e os oficiais dos serviços secretos e censores entrincheirados noutras recusaram-se a publicar o jornal. Muitos dos nossos colaboradores foram forçados a abandonar o país", disse ainda.

Sergei Sokolov foi ainda este mês interrogado e alvo de buscas devido a um processo em curso com acusações contra Oleg Rodugin, jornalista no mesmo órgão, acusado de "acesso indevido a informação computorizada" e preso em abril.

Nos 30 anos de existência do Novaya Gazeta, lamentou Sokolov, seis dos seus jornalistas foram mortos, incluindo Anna Politkovskaya, assassinada no seu apartamento em Moscovo em 2006. O seu antigo editor-chefe Dmitry Muratov, que foi um dos vencedores do Nobel da Paz em 2021, foi alvo de um ataque com tinta vermelha.

"A justiça foi destruída juntamente com a lei e o direito. Ter convicções é agora alta traição", criticou o jornal, apontando que "traição é quando o Estado trai a sua própria Constituição".

"O assassínio do "Novaya Gazeta" é mais uma prova disso mesmo. Durante todos estes anos, escrevemos exatamente sobre isto. Enquanto pudemos. Foi por isso que nos mataram", concluiu.

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