Os bombeiros estavam esta segunda-feira (27 de julho) numa corrida contra o tempo em Espanha e França, procurando aproveitar a breve melhoria do tempo registada nos dois lados dos Pirenéus para conter os incêndios históricos que afetam ambos os países. Tudo antes da chegada de uma nova onda de calor, que deverá trazer as temperaturas para perto ou acima dos 40 graus e agravar significativamente o risco de propagação das chamas. A agência meteorológica francesa (Météo-France) prevê uma nova onda de calor já a partir desta terça-feira (28 de julho), com máximas até 40 graus no sudoeste do país, ar mais seco e uma alteração dos ventos que poderá dificultar ainda mais o combate aos incêndios. Já a espanhola (AEMET) anunciou que a quarta onda de calor deste ano deverá atingir o país entre quarta-feira (29 de julho) e domingo (2 de agosto), prevendo temperaturas superiores a 40 graus em várias regiões e um risco de incêndio “muito elevado ou extremo” em grande parte do país. O vento será de sul, podendo soprar com rajadas localmente fortes, segundo o porta-voz da AEMET. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apelou à população para “extremar a precaução”, avisando que “esperam-nos horas difíceis e complexas” devido à nova onda de calor. Em Espanha, já arderam mais de 170 mil hectares este ano, cerca de seis vezes mais do que na mesma altura de 2025, um ano que Sánchez já tinha classificado como difícil.Numa visita ao posto de comando avançado do incêndio de La Vall d’Uixó, em Castellón, na Comunidade Valenciana, o primeiro-ministro pediu ainda “paciência e compreensão” às populações que tiveram que deixar as suas casas ou receberam ordens para ficar confinadas. .Sánchez insistiu ainda na necessidade de um “pacto de Estado contra a emergência climática”, apelando a um compromisso “contra o negacionismo e a inação”. A proposta de pacto foi rejeitada pelo Partido Popular, que a classificou como um exercício de comunicação política, insistindo num plano de proteção civil centrado na prevenção, no planeamento a longo prazo e na coordenação operacional.Também o presidente francês, Emmanuel Macron, colocou os incêndios no centro da sua agenda política, presidindo em Paris, durante a manhã, a uma célula interministerial de crise dedicada aos fogos onde acompanhou a coordenação dos meios nacionais e europeus que foram mobilizados. À tarde esteve no terreno em Gironda, nos arredores de Bordéus, para receber informações atualizadas sobre a evolução do incêndio, reunir-se com autarcas e agradecer o trabalho dos bombeiros, militares e restantes forças destacadas. “Não baixamos os braços”, afirmou Macron, após ouvir que o incêndio estava contido, mas não controlado. “As próximas semanas serão difíceis e temos de resistir”, acrescentou..O incêndio em Gironda já destruiu cerca de 42 mil hectares e obrigou à retirada de 220 mil pessoas, com pelo menos 88 bombeiros a ficarem feridos. A visita de Macron coincidiu com um momento de trégua relativa nas operações, durante o qual os bombeiros aproveitaram a humidade e até chuva fraca para consolidar as linhas de defesa, mas receando uma deterioração rápida da situação a partir desta terça-feira (28 de julho). Aliás, ao final desta segunda-feira (27 de julho) já havia reacendimentos no norte da península de Cap-Ferret, evacuada nos primeiros dias. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tinha precisamente dito que o incêndio da Gironda estava “estabilizado”, mas “não controlado”, insistindo na necessidade de manter uma vigilância apertada perante a onda de calor que se aproxima. A prefeita da Gironda, Sophie Brocas, advertiu que as condições poderão “agravar o fenómeno”. Além do calor, prevê-se uma alteração da direção do vento, que deverá passar a soprar de leste e poderá empurrar novamente as chamas para zonas já ameaçadas nos últimos dias..Sánchez sobre os incêndios: "vêm aí horas difíceis" com "nova onda de calor" na Península Ibérica.Estabilização do fogo na região de Madrid permite regresso de populações a casa. Grande incêndio perto de Bordéus estável