Nobel da Paz Narges Mohammadi hospitalizada após agravamento do estado de saúde em prisão iraniana
A ativista iraniana Narges Mohammadi, distinguida com o Prémio Nobel da Paz em 2023, foi hospitalizada de urgência após um agravamento significativo do seu estado de saúde enquanto se encontrava detida numa prisão no Irão.
Segundo a agência espanhola EFE, a ativista foi transferida para um hospital na cidade de Zanjan depois de sofrer dois episódios de perda total de consciência no mesmo dia, uma crise cardíaca e fortes alterações da pressão arterial.
A Fundação Narges, organização sediada em Paris, indicou que “Narges Mohammadi foi transferida de urgência […] após uma deterioração grave da sua saúde”, acrescentando que a ativista foi internada na unidade de cuidados coronários, depois de os médicos da prisão terem concluído que o seu estado já não podia ser tratado no estabelecimento prisional.
A fundação denuncia que o internamento ocorre após cerca de 140 dias de “detenção arbitrária” e de recusa sistemática de acesso a cuidados médicos especializados.
A família da ativista, que há semanas pedia a sua transferência para uma unidade hospitalar adequada, descreveu a decisão como uma medida de “última hora” que poderá ter chegado demasiado tarde para responder às suas necessidades clínicas.
Acusações de negligência e exigência de libertação
A Fundação Narges acusa ainda as autoridades judiciais iranianas de ignorarem recomendações médicas. Segundo a organização, a Comissão de Medicina Forense da província de Zanjan terá ordenado, a 12 de abril, a suspensão da pena por um mês para tratamento, decisão que terá sido bloqueada pela procuradoria de Tehran.
“A continuidade da sua prisão constitui uma ameaça direta e imediata ao seu direito à vida”, afirmou a fundação, exigindo a libertação imediata da ativista, a anulação das suas condenações e a sua transferência para acompanhamento médico especializado na capital iraniana.
Narges Mohammadi foi detida em dezembro pela 13.ª vez e condenada, no início de fevereiro, a sete anos e meio de prisão por acusações de conspiração e propaganda contra o regime, naquela que foi a décima sentença aplicada à ativista desde 2021.

