Netanyahu defende "governo de direita, nacionalista e forte". Com 72% dos votos contados, lidera sem maioria
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, esperou mais de cinco horas depois do fecho das urnas para reagir aos resultados eleitorais (ainda parciais), defendendo que “o bloco de direita tem uma maioria clara e decisiva entre o público sionista", ignorando a minoria árabe de Israel.
“Precisamos de um governo de direita, nacionalista e forte. É isso que é preciso fazer”, afirmou já de madrugada.
Às 8h00 de Lisboa, com 72,4% dos votos contados, o Likud de Netanyahu está com 27 deputados e o Yashar de Gadi Eisenkot tem 21. O bloco do primeiro-ministro tem 54 representantes, aquém da maioria de 61, enquanto o bloco da oposição tem 48 eleitos. Os partidos árabes têm 18 deputados.
Os resultados são parciais e vão mudar à medida que os votos sejam contados, sendo que os votos dos soldados (por correio) ainda não foram contabilizados.
As sondagens à boca das urnas davam a vitória ao Likud, mas com o bloco liderado por Eisenkot a conseguir ter mais deputados (ainda aquém da maioria).
“O público votou por uma mudança. A coligação do fracasso perdeu a confiança do povo. O público israelita votou contra a permanência de Netanyahu como primeiro-ministro”, declarou Eisenkot nessa altura, lembrando contudo que era preciso esperar pelos resultados finais.
“Mas já é claro que, esta noite, Netanyahu se depara com uma maioria sionista e responsável, maior e mais forte", acrescentou.
O líder dos Democratas, Yair Golan, que para já tem oito deputados, defendeu já na manhã desta quarta-feira (28 de outubro) uma aliança da oposição com os partidos árabes.
“Netanyahu perdeu. Sei contar até 120. 65 é mais do que 55 [citava números anteriores]. É assim que funciona a democracia israelita. Ponto final”, escreveu Golan no X.
“A realidade deve ensinar-nos uma lição contundente: não temos futuro aqui se não deixarmos de ter medo. E se não pararmos com o racismo. Não podemos aceitar mais a divisão racista de Netanyahu entre os votos judeus e os votos árabes”, diz.
Trump reage às eleições
O presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu que o seu apoio foi o que permitiu a vitória de Netanyahu.
“‘Quando o presidente Trump declarou o seu apoio a Bibi Netanyahu, a maré virou completamente; agora, em vez de uma derrota decisiva para um grande primeiro-ministro, parece haver um empate técnico — uma reviravolta impressionante — ou até mesmo uma VITÓRIA para Netanyahu", escreveu na Truth Social.
"Tudo isto aconteceu DEPOIS do apoio do Presidente Trump, que só deseja o que é bom para o Médio Oriente, para Israel e para os EUA!’”, acrescentou Trump.

