Cruz Vermelha distribui alimentos aos migrantes em Ceuta.
Cruz Vermelha distribui alimentos aos migrantes em Ceuta.FOTO:EPA/REDUAN

Mortes de migrantes no Mediterrâneo chegaram a triplicar

No Mediterrâneo Oriental, 244 pessoas morreram nos primeiros quatro meses deste ano, um aumento de 259%, com muitas mortes ligadas a travessias marítimas que terminaram em tragédias perto de Creta.
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As mortes de migrantes duplicaram no Mediterrâneo Central e triplicaram no Oriental nos primeiros quatro meses deste ano, comparativamente a 2025, apesar da forte quebra nas chegadas à Europa, comunicou esta quarta-feira, 12 de agosto, a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o relatório "Visão Global das Rotas Migratórias (janeiro a abril de 2026)" da agência das Nações Unidas para as migrações, as condições meteorológicas severas, os conflitos, a pressão económica e as alterações nas políticas de migração remodelaram as jornadas migratórias em várias regiões durante os primeiros quatro meses deste ano.

No Mediterrâneo Central, 821 pessoas morreram ou desapareceram, um aumento de 111%, enquanto as chegadas caíram 46%, para 8.577. No Mediterrâneo Oriental, 244 pessoas morreram, um aumento de 259%, com muitas mortes ligadas a travessias marítimas que terminaram em tragédias perto de Creta, indicou a OIM.

Os dados mostram também que, ao longo da Rota do Atlântico da África Ocidental, as chegadas a Espanha caíram 78%, para 2.276, a descida mais acentuada de qualquer rota para a Europa. Os pontos de partida continuaram a deslocar-se mais para sul ao longo da costa da África Ocidental, prolongando a travessia marítima e aumentando os riscos enfrentados pelas pessoas.

No entanto, nem todas as rotas registaram quedas.

As chegadas a Espanha através da Rota do Mediterrâneo Ocidental subiram 66%, para 5.647, impulsionadas sobretudo por um aumento triplo nas travessias terrestres para Ceuta e Melilha.

As chegadas ao Iémen através da Rota Oriental do Corno de África subiram 9%, para 70.200.

As hostilidades no Médio Oriente também afetaram os padrões de mobilidade em toda a região e além dela durante o período em análise, referiu.

Após a escalada iniciada no final de fevereiro, foi registada uma deslocação em larga escala no Líbano, e os regressos transfronteiriços à Síria aumentaram entre março e abril, concluiu.

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Rotas migratórias em África estão a mudar, mas riscos permanecem elevados

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontou esta quarta-feira num relatório que as rotas migratórias em África estão a alterar-se, devido ao reforço dos controlos fronteiriços, mas que se mantêm elevados os riscos de morte, exploração e tráfico.

De acordo com o relatório "Visão Global das Rotas Migratórias (janeiro a abril de 2026)", na Rota Atlântica da África Ocidental, que liga as costas africanas às ilhas Canárias - território espanhol - as chegadas caíram 78% entre janeiro e abril, para 2.276, a maior diminuição entre as rotas monitorizadas pela OIM para a Europa.

A organização alertou, contudo, que a redução das chegadas não significa necessariamente uma diminuição dos riscos enfrentados pelos migrantes, uma vez que os pontos de partida se têm deslocado progressivamente para sul, para a Guiné-Conacri, Guiné-Bissau e Gâmbia.

A mudança, explicou, surge como resposta ao reforço dos controlos fronteiriços em países como Marrocos, Mauritânia e Senegal.

Espanha e a União Europeia têm reforçado parcerias com países de origem e trânsito da África Ocidental, através de financiamento, apoio ao reforço de capacidades e medidas de vigilância costeira e controlo migratório para ajudar a conter os fluxos.

No entanto, segundo a agência das Nações Unidas, essas medidas contribuíram para deslocar as partidas marítimas para zonas costeiras mais remotas, onde os migrantes ficam "mais expostos a traficantes, condições precárias, desinformação, extorsão, interceção e acesso limitado a assistência".

Entre janeiro e abril, foram registados 1.364 retornos provenientes da Gâmbia, Mauritânia e Senegal. No mesmo período, foram contabilizadas 155 mortes e desaparecimentos na Rota Atlântica da África Ocidental, menos 48% do que no período anterior, com o afogamento a continuar a ser a principal causa de morte.

Os traficantes recorrem frequentemente a embarcações sobrelotadas e sem condições de navegabilidade, enquanto falhas nos equipamentos de navegação ou condições adversas podem levar as embarcações para Cabo Verde ou para zonas mais afastadas do Atlântico.

Sobre a Rota Oriental do Corno de África, que liga sobretudo a Etiópia e a Somália à Península Arábica, registaram-se 70.200 chegadas ao Iémen, um aumento de 9% em termos homólogos. A maioria das travessias teve origem no Djibuti. Uuma proporção menor partiu da Somália.

A rota, utilizada sobretudo por migrantes etíopes, permanece particularmente perigosa devido ao conflito no Iémen, em curso desde 2014, alertou.

Durante o período analisado, foram registadas cerca de 33.000 devoluções de migrantes para a Etiópia organizadas pela Arábia Saudita, menos 9% do que no final de 2025.

A OIM contabilizou ainda 105 mortes e desaparecimentos de migrantes nesta rota, com o afogamento a ser novamente a principal causa de morte.

"Os migrantes enfrentam riscos persistentes e generalizados nesta rota", incluindo detenção, extorsão, violência física e exploração por redes de tráfico de pessoas, alertou a OIM.

Por fim, sobre a Rota da África Oriental e Austral, que parte sobretudo do sul da Etiópia e da Somália e atravessa vários países - nomeadamente Moçambique - até à África do Sul, os movimentos registados em direção ao país diminuíram 39%, de 39.800 entre janeiro e abril de 2025 para 24.200 no mesmo período deste ano.

A diminuição foi particularmente expressiva entre os cidadãos do Zimbabué, com menos 69%, e da Etiópia, com menos 62%. Já os movimentos provenientes de Moçambique referidos pela OIM diminuíram 7%.

A organização associou parte desta redução ao reforço do controlo migratório na África do Sul.

Os retornos, por sua vez, aumentaram 27%. A maioria na África do Sul, responsável por 72% dos casos, seguida de Moçambique, com 21%, e do Zimbabué, com 6%.

A OIM apontou o desemprego, falta de acesso a terras e a procura de trabalho como alguns dos fatores que impulsionam estes movimentos.

As viagens nesta rota são marcadas por "transportes inseguros e sobrelotados", exposição às condições meteorológicas, animais selvagens e abusos associados à ação de traficantes.

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