O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, denunciou a utilização de bases militares britânicas pelos Estados Unidos, considerando tratar-se de cumplicidade de Londres na guerra.A acusação de Abbas Araghchi foi comunicada diretamente à chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, durante um contacto telefónico estabelecido no sábado passado. De acordo com um comunicado sobre o assunto divulgado hoje em Teerão, Araghchi disse que as ações do Governo de Londres vão ser "certamente consideradas participação na agressão" e vão ficar "gravadas na história" das relações entre o Irão e o Reino Unido.O governo britânico aprovou, no início de março, o uso estritamente defensivo de bases militares na região do Médio Oriente, depois de o Governo de Londres ter sido fortemente criticado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, pela recusa inicial.Lusa.O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, afirmou na quinta-feira que "numa guerra prolongada não há vencedores", a propósito do conflito no Médio Oriente, durante uma conversa telefónica com a sua homóloga britânica, Yvette Cooper.Wang indicou que "a vontade dos povos é um cessar-fogo", segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.O diplomata instou "todas as partes a pôr termo de imediato às operações militares, resolver as divergências através de um diálogo equitativo e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade regionais".Wang afirmou que "o atual conflito no Médio Oriente está a intensificar-se e os combates estão a alastrar, afetando não só a paz e a estabilidade regionais, mas também diretamente a energia, as finanças, o comércio e o transporte marítimo internacionais, prejudicando os interesses comuns de todos os países"."Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e o Reino Unido têm a responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais", acrescentou o ministro chinês.Cooper declarou que, "perante um mundo cada vez mais instável, o Reino Unido espera manter uma comunicação fluida com a China para promover uma rápida resolução do conflito, retomar as negociações diplomáticas e procurar uma solução a longo prazo", segundo o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.Lusa.Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait afirmaram hoje, em comunicados separados, estar a responder a ataques iranianos com mísseis, enquanto a Arábia Saudita anunciou ter interceptado drones.Também no Golfo, estilhaços provenientes de uma "agressão iraniana" provocaram um incêndio num armazém no Bahrein, informou o Ministério do Interior do país, onde as sirenes de alerta antiaéreo tinham sido ativadas. O incêndio foi controlado e não causou vítimas.No Kuwait, o exército indicou, num comunicado, que as suas defesas aéreas "respondem a um míssil hostil e a ameaças de drones", enquanto o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos refere "a ameaça de mísseis".Na Arábia Saudita, seis drones foram "interceptados e destruídos" no leste do país e outro no norte, segundo o Ministério da Defesa.O Irão prosseguiu na quinta-feira os ataques às infraestruturas energéticas no Golfo. Os drones iranianos atingiram uma refinaria saudita e outras duas no Kuwait, e infligiram danos graves na principal instalação mundial de gás natural liquefeito (GNL) no Qatar, em resposta aos ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/ North Dome, partilhado por Teerão e Doha.Lusa.A Corporação Petrolífera do Kuwait informou hoje que uma refinaria foi alvo de ataques com drones, e Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein relataram ataques nos respetivos territórios, 21 dias após o início da guerra no Médio Oriente.Segundo a agência oficial do Kuwait, a refinaria Mina Al-Ahmadi, atacada na véspera, foi alvo de novos impactos de drones, que provocaram um incêndio em algumas das suas unidades, sem que tenham sido registadas vítimas.O Exército do Kuwait tinha informado anteriormente que as suas defesas aéreas tinham interceptado mísseis e drones que penetraram no espaço aéreo do país.A Companhia Nacional de Petróleos kuwaitiana informou na quinta-feira que duas das suas principais refinarias, a de Mina Al-Ahmadi e a de Mina Abdullah, foram atacadas por drones que provocaram incêndios.Da mesma forma, as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos responderam hoje à penetração de mísseis e drones iranianos no seu espaço aéreo, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa do país em Abu Dabi, no qual não foi especificado o número de aeronaves não tripuladas interceptadas.O Ministério da Defesa saudita também informou na sua conta da rede social X que quatro drones foram neutralizados na região oriental do país.O Bahrein, por sua vez, relatou um incêndio num armazém "provocado pela agressão iraniana", segundo o Ministério do Interior, que pouco tempo depois atualizou a informação, anunciando a extinção do incêndio.O Ministério da Defesa do Bahrein afirmou hoje que, desde o início da guerra, no passado dia 28 de fevereiro, as suas defesas aéreas interceptaram 139 mísseis e 238 drones provenientes do Irão.Lusa.A Guarda Revolucionária iraniana anunciou hoje a morte do seu porta-voz, Ali-Mohammad Naini, vitimado em mais um ataque aéreo da ofensiva militar conjunta de Israel e dos Estados Unidos da América (EUA)."Caiu como um mártir no cobarde e criminoso ataque terrorista perpetrado pelo lado sionista-americano, ao amanhecer", lê-se em comunicado oficial daquela força militar da República Islâmica no seu portal da Internet, Sepah News.Entretanto, o novo ‘líder supremo’ do Irão, Mojtaba Khamenei, declarou hoje que os inimigos não devem viver em segurança, sublinhando a retaliação pela morte do ministro dos serviços de informações..A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou hoje mais três dias de teletrabalho, menos 40% de voos comerciais e a gratuitidade dos transportes públicos para reduzir a procura de petróleo face à guerra no Médio Oriente.Num relatório, aquela instituição apresentou 10 medidas “de urgência”, sobretudo para combater o recurso a viaturas privadas, as quais podem poupar até cerca de seis milhões de barris por dia, compensando em parte a escassez global de crude.“O conflito no Médio Oriente provocou a maior interrupção de fornecimento da história do mercado internacional de petróleo devido à paragem quase total do trânsito naval pelo estreito de Ormuz”, lê-se.Segundo a AIE, cerca de 15 milhões de barris de crude e outros cinco milhões de produtos petrolíferos passavam diariamente naquela via marítima, cerca de 20% do consumo mundial daquelas matérias, mas as quantidades ficaram reduzidas a "conta-gotas".O texto defende ser essencial trabalhar do lado da procura, já que os preços do crude já ultrapassaram a barreira dos 100 dólares/barril, apesar do esforço de libertação das reservas por parte de muitos países (426 mil barris)."Há uma crescente preocupação com o impacto da alta de preços sobre as famílias, as empresas e a economia em geral", alertou a AIE.Entre as restantes medidas propostas está a redução do limite de velocidade nas estradas em, pelo menos, 10 km/h, para baixar o consumo de combustível "entre 5% e 10% por veículo".A partilha de veículos e a restrição de circulação nas grandes áreas metropolitanas, através do rateio de matrículas (pares/ímpares, por exemplo), também constam do plano.O diretor-executivo da AIE, o turco Fatih Birol, reconheceu porém que medidas de austeridade, por si só, não vão ser suficientes."Retomar a navegação pelo estreito de Ormuz é a ação mais importante para restaurar a estabilidade dos fluxos de petróleo e de gás e reduzir a pressão sobre os mercados e os preços", declarou.Segundo Birol, a atual situação causada à ofensiva militar de Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequentes retaliações na região do golfo Pérsico, é diferente da verificada aquando da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022."Como vimos em 2022, os governos podem intervir com medidas para ajudar os consumidores com suas contas de energia durante picos de preços. No entanto, os recursos fiscais são limitados e é vital que essas medidas sejam direcionadas àqueles que mais precisam", concluiu.Lusa.O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou hoje através de um comunicado que os inimigos da República Islâmica não devem viver em segurança, sublinhando a retaliação pela morte do ministro dos serviços de informações.O ayatollah Mojtaba Khamenei fez as declarações num comunicado enviado ao Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, depois de Israel ter morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib.Khamenei não é visto em público desde que foi nomeado líder supremo, sucedendo ao pai, o ayatollah Ali Khamenei, de 86 anos, que foi morto num ataque aéreo israelita no primeiro dia da guerra, a 28 de fevereiro.As autoridades norte-americanas e israelitas sugeriram que Mojtaba Khamenei tinha ficado ferido na sequência de um bombardeamento.Lusa.As integrantes da seleção nacional feminina de futebol do Irão foram recebidas com uma cerimónia de boas-vindas ao regressarem esta quinta-feira à República Islâmica, depois de várias jogadoras terem pedido asilo na Austrália."Em primeiro lugar, estamos muito felizes por estar no Irão, porque o Irão é a nossa pátria", afirmou a meio-campista Fatemeh Shaban.À chegada da equipa, uma multidão acenava com bandeiras, enquanto algumas jogadoras seguravam ramos de flores e autografavam o que pareciam ser mini-bolas de futebol. A imprensa iraniana tinha noticiado que a equipa regressaria na quarta-feira."Não esperava que tantas pessoas viessem dar-nos as boas-vindas, e estou feliz por ser filha do Irão", disse Shaban.Duas jogadoras iranianas, Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh, optaram por permanecer na Austrália e têm treinado com o clube Brisbane Roar.Outras, que inicialmente solicitaram asilo após a equipa ter sido eliminada da Taça da Ásia Feminina, mudaram posteriormente de ideias e afirmaram que regressariam ao Irão.A seleção iraniana chegou à Austrália para o torneio pouco antes do início da guerra no Irão, a 28 de fevereiro. A equipa ganhou inicialmente atenção mundial quando algumas jogadoras permaneceram em silêncio durante o hino nacional do Irão antes do primeiro jogo na Taça da Ásia. O silêncio foi interpretado como um ato de resistência ou protesto por alguns comentadores e como uma demonstração de luto por outros.As jogadoras não revelaram publicamente a decisão nem a explicaram e cantaram o hino nacional antes dos dois jogos seguintes.O primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, rejeitou na semana passada as sugestões de que as mulheres não estariam seguras se regressassem a casa, afirmando que o país "acolhe os seus filhos de braços abertos e que o Governo garante a sua segurança".Sete membros da delegação começaram por solicitar asilo na Austrália na semana passada, pedidos que foram motivo de constrangimento para os líderes iranianos, e elogiados pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de cinco das sete jogadoras acabarem por mudar de ideias, incluindo a capitã Zahra Ghanbari.Ativistas acusaram as autoridades iranianas de pressionar as famílias das mulheres – incluindo a convocação dos pais para interrogatórios –, mas Teerão, por sua vez, alegou que a Austrália tentou forçar as atletas a desertar.O ministro do Interior australiano, Tony Burke, afirmou na semana passada que o Governo passou vários dias em negociações secretas com as jogadoras, que foram levadas para um local seguro depois de deixarem o hotel na Gold Coast na noite em que as sete decidiram pedir asilo.No regresso a Teerão, a equipa fez uma longa viagem, passando pela Malásia, Omã e, em seguida, por Istambul e entraram no Irão pela passagem fronteiriça terrestre de Gurbulak-Bazargan, entre a Turquia e o Irão.A agência de notícias iraniana Mehr publicou imagens de uma pequena festa de boas-vindas no lado iraniano da fronteira, bem como da equipa e da comitiva sentadas num palco com um tapete vermelho."Reunimo-nos todos aqui para lhes dar os parabéns e expressar o nosso apreço", afirmou o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, segundo notícias divulgadas pela imprensa. "Apesar de serem mulheres, demonstraram coragem e força dignas de um homem", acrescentou.As autoridades iranianas organizaram esta quinta-feira uma cerimónia de boas-vindas de maior dimensão na Praça Valiasr, em Teerão, onde se realizaram outras manifestações pró-governo nas últimas semanas, de acordo com os meios de comunicação iranianos.Grupos de direitos humanos acusaram Teerão de pressionar os atletas no estrangeiro, ameaçando os familiares com a apreensão de bens caso desertem ou façam declarações contra a República Islâmica.Lusa.O Exército de Israel anunciou hoje uma nova onda de ataques contra infraestruturas do regime iraniano no "coração de Teerão", a capital do país.Numa breve mensagem na rede de mensagens Telegram, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram ter "iniciado uma onda de ataques contra as infraestruturas do regime terrorista do Irão".Meios de comunicação como a Al Jazeera relataram explosões em Teerão.Por volta da meia-noite, em contrapartida, Jerusalém foi alvo de, pelo menos, quatro séries de ataques lançados a partir do Irão em pouco mais de uma hora..Bom dia!Acompanhe aqui todas as incidências desta sexta-feira relacionadas com a guerra no Médio Oriente.