Montenegro defende diálogo com Rússia e concorda com participação de Putin no G20
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Montenegro defende diálogo com Rússia e concorda com participação de Putin no G20

O primeiro-ministro avisou ainda que Portugal manifestará “uma oposição firme e fundamentada” ao próximo orçamento da UE se desrespeitar os princípios da política de coesão
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O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira, 23 de abril, que é “preciso estabelecer diálogo com a Rússia para resolver os conflitos” em que está envolvida, afirmando concordar com a sugestão de Trump para que Putin participe na próxima cimeira do G20.

“É preciso estabelecer diálogo com a Rússia para resolver os conflitos em que a Rússia está envolvida. Portanto, desse ponto de vista, como observador externo - Portugal, que não faz parte do G20 -, eu não tenho nenhum problema em vislumbrar aspetos positivos nessa inclusão”, afirmou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas à margem da cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Chipre.

O primeiro-ministro respondia a uma pergunta sobre como é que vê a sugestão que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, participe na próxima cimeira do G20, em Miami, em dezembro.

“Não me parece mal, sinceramente. Parece-me que a inclusão da Rússia na avaliação das grandes questões da geopolítica e das questões económicas e comerciais do mundo não é negativa”, respondeu Luís Montenegro.

Já questionado sobre como é que viu a notícia da Reuters, que indica que os Estados Unidos querem suspender a Espanha da NATO, o primeiro-ministro respondeu apenas: “No comments”. Entretano, a NATO já recsou essa possibilidade.

Esta quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu a participação de Vladimir Putin na cimeira de líderes do G20 em Miami, em dezembro, embora considerando improvável a vinda do homólogo russo.

Questionado na Casa Branca sobre notícias acerca da participação russa na cimeira, Trump afirmou desconhecer qualquer convite oficial a Moscovo, mas defendeu que “seria muito útil" se Putin viesse.

“Sou da opinião que devemos falar com todos", frisou Trump, invocando a necessidade de manter contactos com Moscovo para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia.

"Quando vou a estas reuniões do G7, 90% das vezes estão a falar sobre a Rússia, e eu penso: 'Porque é que os expulsaram?' Na minha opinião, teria sido melhor não os expulsar", adiantou.

Oposição a próximo orçamento da UE se desrespeitar princípios da coesão

O primeiro-ministro avisou ainda que Portugal manifestará “uma oposição firme e fundamentada” ao próximo orçamento da UE se desrespeitar os princípios da política de coesão, pedindo que não se interrompa o caminho de convergência percorrido pelo país.

“Qualquer perspetiva que possa consagrar um desrespeito por esse princípio [da política de coesão], terá a nossa oposição firme e fundamentada. Não estamos aqui a reclamar nem a pedinchar nada, estamos aqui a ser parte ativa de um processo de afirmação do bloco”, afirmou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas à margem da cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Chipre, onde se discutiu esta manhã o próximo orçamento comunitário, para o período entre 2028 e 2034.

O primeiro-ministro referiu que, durante a cimeira, avisou os restantes líderes que não se deve “descurar a política de coesão” e “interromper um caminho de convergência” que tem vindo a ser perseguido por países, como Portugal, que beneficiam dos fundos de coesão.

Montenegro salientou que Portugal tem hoje um crescimento económico “que supera a média da UE e da zona euro”, tem um “desempenho financeiro que está entre os cinco melhores” Estados-membros e um “percurso de diminuição da dívida pública absolutamente notável”.

“Portanto, não há nenhuma razão para que não tenhamos os recursos que, ao nível da coesão, asseguram uma Europa para as pessoas, a olhar para o território e para a dimensão social do trabalho da UE, mas sobretudo a olhar para aquilo que é a igualdade de oportunidades no âmbito do mercado único”, afirmou.

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