Missão especializada no resgate em estruturas colapsadas deverá partir hoje para a Venezuela. Integra Sapadores Bombeiros de Lisboa

Missão especializada no resgate em estruturas colapsadas deverá partir hoje para a Venezuela. Integra Sapadores Bombeiros de Lisboa

A missão portuguesa que vai partir para a Venezuela é composta por 15 elementos dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, 27 operacionais da GNR, 11 elementos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e dez elementos do INEM.
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Uma força nacional conjunta constituída por cerca de 60 operacionais, da qual faz parte uma equipa de 15 elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa, deverá partir na tarde desta sexta-feira, 26 de junho, para a Venezuela, país afetado na quarta-feira por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5.

De acordo com a Câmara de Lisboa, o tenente-coronel Carlos Pereira, segundo-comandante do RSB, lidera a equipa dos Sapadores, ao mesmo tempo que desempenha funções de Engenheiro Civil para a avaliação das estruturas.

“Já por diversas vezes afirmei que Lisboa tem dos melhores bombeiros do mundo e nunca é demais repeti-lo. É com orgulho que vejo os nossos bombeiros partirem, uma vez mais, com o elevado sentido de missão a que há muito nos habituaram, para apoiar a população da Venezuela nesta hora difícil”, destaca o presidente da Câmara de Lisboa.

Carlos Moedas deseja-lhes um "bom trabalho nesta missão exigente" e agradece "a sua coragem, o seu serviço e o seu sacrifício”, tendo ainda manifestado “a solidariedade de Lisboa para com o povo da Venezuela”.

Parte da equipa do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa que viaja hoje para a Venezuela integrou também a força nacional que esteve, em 2023, na Turquia, após os sismos que causaram milhares de vítimas mortais.

A missão portuguesa deverá partir para a Venezuela durante esta tarde em aviões da Força Aérea, indicou a autarquia em comunicado. Também o ministro da Administração Interna, Luís Neves, falou nessa possibilidade.

Além dos 15 elementos do RSP, a força nacional é composta por 27 operacionais da GNR, 11 elementos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e dez elementos do INEM.

Equipa especializada na vertente de busca e resgaste em estruturas colapsadas. Esperado cenário "de catástrofe"

Segundo a Proteção Civil, a equipa portuguesa é especializada na vertente de busca e resgaste em estruturas colapsadas e os elementos que a integram têm “muita experiência” em cenários de sismos.

“Apesar de ser um cenário de grande complexidade e difícil, estamos em crer que a força que vamos enviar, pela sua experiência em outros teatros de operações e pela sua capacidade técnica, dá muita confiança no trabalho que vai desenvolver na Venezuela”, disse à Lusa o segundo comandante nacional de emergência e proteção civil, José Ribeiro.

O responsável ressalvou que apenas se sabe que os elementos da equipa vão num voo militar disponibilizado pela Força Aérea, mas “ainda sem hora e local de saída”.

O segundo comando sublinhou que estes profissionais têm “muita experiência em outros teatros de operações desta tipologia de eventos”, tendo já participada em anteriores missões de apoio a países afetados por sismos.

A missão portuguesa está integrada no Mecanismo Europeu de Proteção Civil, apesar de partir de Portugal num voo exclusivo e de alguns países da União Europeia terem já chegado à Venezuela.

“As autoridades da Venezuela solicitaram apoio ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil, pedindo equipas na vertente de busca e resgaste em estruturas colapsadas e Portugal de imediato iniciou a preparação de uma força conjunta”, afirmou.

Sobre o cenário que a equipa vau encontrar, José Ribeiro afirmou que será “de catástrofe” e de um país que sofreu em simultâneo dois sismos que “afetaram de uma forma muito severa um conjunto de infraestruturas quer do edificado, mas também tudo o que são as infraestruturas de apoio”, nomeadamente das redes de energia, dados e abastecimento de água

De acordo com o segundo comandante da ANEPC, este cenário “é um fator adicional de maior complexidade na gestão da operação”.

José Ribeiro manifestou esperança de que a equipa portuguesa possa ainda encontrar sobreviventes, tendo em conta “a experiência e o histórico” em outros países com uma devastação idêntica.

O responsável explicou aquilo que a equipa portuguesa vai fazer no imediato quando chegar à Venezuela: “Fazer a instalação de uma base de operações, um planeamento que já está curso. Falar com as autoridades locais que estão responsáveis pela gestão da operação para receber informação relevante e serem atribuídos locais para trabalhar”.

José Ribeiro disse também que os portugueses vão “privilegiar articulação” com as autoridades locais, Mecanismos Europeus de Proteção Civil e Nações Unidas, enquanto no terreno “vão realizar as tarefas habituais de reconhecimento do setor, operações de buscas e localização de sobreviventes”.

Avançou ainda que o planeamento feito para a duração da missão portuguesa foi de 10 dias e mais dois de reserva, tendo sido também o que foi feito pelas forças internacionais que estão no terreno.

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