O Papa Leão XIV esteve esta segunda-feira, 8 de junho, no parlamento espanhol, e deixou mensagens fortes contra o aborto, a eutanásia e a polarização política, nomeadamente no que concerne às migrações.O sumo pontífice apelou ao “acolhimento respeitoso e a oportunidades reais de integração” para os imigrantes, uma mensagem em forte contraste com aquela que costuma ser propagada no mesmo edifício pelo Vox e até pelo Partido Popular (PP).“A situação dos migrantes e refugiados exige uma resposta centrada nas pessoas, que aborde as causas profundas que os obrigam a partir e que vá para além da simples gestão dos fluxos migratórios”, afirmou Robert Prévost, que entende que a “justiça social” nos obriga a “oferecer vias seguras e legais, acolhimento respeitoso e oportunidades reais de integração”, bem como “o direito de permanecer na própria terra”, garantindo as condições para que ninguém tenha de abandonar o seu lar por falta de paz, segurança ou condições de vida dignas, o que inclui a desigualdade económica e os efeitos das alterações climáticas.O Papa alertou para o “custo extremamente elevado” devido aos perigos das rotas migratórias, que ceifaram milhares de vidas nos últimos anos, tanto no Mediterrâneo como no Atlântico e lembrou que “muitas pessoas continuam a ser vítimas de traficantes e contrabandistas que exploram o seu desespero”, tendo apelado “ao reforço da prevenção, do resgate e da assistência às vítimas”, uma tarefa que exige “cooperação regional e multilateral” e “uma resposta coordenada, solidária e eficaz”, uma vez que “nenhuma nação pode enfrentar esta realidade sozinha”.“Quando a resposta institucional é próxima, justa e coordenada, as fronteiras deixam de ser lugares de abandono e podem tornar-se espaços de proteção responsável da dignidade humana", acrescentou.Sobre as tensões políticas, Leão XIV defendeu que "o pluralismo político não deve degenerar na constante difamação do adversário". “Numa sociedade madura, até o conflito pode tornar-se um caminho para a paz quando as diferenças são atenuadas pela escuta e direcionadas para o reconhecimento das necessidades, aspirações e capacidades de todos”, afirmou.A paz, disse o papa, “exige um discurso público que respeite quem pensa de forma diferente, instituições colocadas ao serviço do encontro, uma memória histórica que procure a verdade e a reconciliação, e uma vida social capaz de sustentar a amizade cívica e o respeito mútuo no meio das divergências".O sumo pontífice proferiu ainda uma uma mensagem em defesa de “toda a vida humana” e contra o aborto e a eutanásia. “Toda a vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a conceção até ao seu fim natural, em todas as circunstâncias da sua existência. Quando essa certeza é obscurecida, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas, e a lei perde o seu significado mais profundo: servir e proteger cada pessoa. É por isso que a grandeza moral de uma nação se manifesta, sobretudo, na sua capacidade de acompanhar, proteger e amar as vidas que vivenciam a maior fragilidade”, vincou, lançando uma questão: “Pode uma comunidade que deixa a criança por nascer na sombra ser verdadeiramente apelidada de justa?”.Papa reúne com vítimas de abusos um dia após presidir a missa para 1,2 milhões de fiéis em Madrid.Papa visita Espanha e garante que continuará combate aos abusos sexuais na Igreja, "uma chaga ainda aberta"