Papa visita Espanha e garante que continuará combate aos abusos sexuais na Igreja, "uma chaga ainda aberta"
O Papa Leão XIV garantiu este sábado, 6 de junho, que continuará a trabalhar no combate aos abusos sexuais na Igreja Católica, classificando o problema como uma “chaga ainda aberta” que exige uma resposta permanente da hierarquia eclesiástica.
Durante o voo para Espanha, onde iniciou esta manhã uma visita apostólica de uma semana, o pontífice respondeu a perguntas dos jornalistas sobre a situação dos abusos no seio da Igreja espanhola e reafirmou o seu compromisso pessoal com o tema. “Sublinho o facto de eu pessoalmente ter trabalhado sempre para instituir comissões, para criar normas, e continuarei a fazê-lo, assim como toda a Igreja, porque é uma chaga ainda aberta”, afirmou Leão XIV, citado pela agência EFE.
O Papa confirmou também que se reunirá em Espanha com vítimas de abusos cometidos por membros do clero, embora tenha reconhecido que não conseguirá "encontrar-se com todas" as pessoas que solicitaram uma audiência. O Vaticano já tinha anunciado que o programa da visita inclui um encontro com vítimas de abusos, sem divulgar pormenores sobre o local ou os participantes, por questões de privacidade.
O tema dos abusos sexuais continua a ser um dos maiores desafios para a Igreja Católica, que nas últimas décadas tem enfrentado denúncias em vários países, entre os quais Portugal.
Leão XIV afirmou ainda que a visita a Espanha pretende trazer uma mensagem para toda a sociedade. “É uma visita apostólica para encontrar os fiéis, celebrar a fé e levar uma mensagem de Jesus Cristo, mas saudarei toda a sociedade porque a Igreja tem uma mensagem para todos, como tereis visto na encíclica”, declarou, também citado pela EFE, fazendo referência à sua encíclica "Magnifica Humanitas", sobre a Inteligência Artificial, publicada recentemente.
A viagem, a primeira de um Papa a Espanha em 15 anos, decorrerá até 12 de junho. O programa inclui um discurso no parlamento espanhol, encontros com jovens, presos, pessoas em situação de sem-abrigo e migrantes, bem como uma deslocação a Barcelona para inaugurar formalmente a Torre de Jesus Cristo da Basílica da Sagrada Família.
Nos dois últimos dias da visita, Leão XIV desloca-se às Canárias, concretizando um desejo já manifestado pelo seu antecessor, Francisco. A imigração estará no centro dessa etapa da viagem, numa região que se tornou uma das principais portas de entrada na Europa para migrantes oriundos de África.
Bad Bunny e o Real Madrid
Durante a viagem de Leão XIV para Madrid, com 80 jornalistas a bordo, o Papa teve te mpo ainda para responder a questões pouco ou nada relacionadas com a Igreja. Como, por exemplo, o facto de coincidir em Madrid por estes dias com o grande fenómeno musical destes tempos, o cantor porto-riquenho Bad Bunny, que está em digressão pela capital espanhola. Questionado sobre a possibilidade de se encontrar com o cantor, Leão XIV respondeu em tom bem-humorado que não sabe se isso será possível, uma vez que tem compromissos marcados à hora do concerto de Bad Bunny.
O pontífice também se pronunciou, de forma mais arriscada ,sobre futebol, afirmando que, embora o Papa seja “de todas as equipas”, Robert Prevost (o seu nome de batismo) é adepto do Real Madrid.

