Quando começa a viagem de Leão XIV a Espanha?O papa chega este sábado, 6 de junho, a Madrid, para a primeira paragem da sua viagem de sete dias por Espanha que o levará também a Barcelona e às ilhas Canárias, onde passará por Las Palmas e Santa Cruz de Tenerife. O lema da viagem apostólica, a primeira de Leão XIV a um país europeu para lá de Itália, é Alzad la Mirada (Levantai os vossos olhos), do capítulo 4 do Evangelho de São João, versículo 35, que convida a sociedade a ultrapassar a indiferença e as preocupações diárias. Leão XIV é o terceiro papa a visitar Espanha, depois de João Paulo II (que ali foi cinco vezes entre 1982 e 2003) e Bento XVI, que fez três viagens, a última há 15 anos. O que está previsto na agenda do papa?Um dos pontos altos será a inauguração da Torre de Jesus Cristo da Sagrada Família, em Barcelona, no centenário da morte de Antoni Gaudí, o “arquiteto de Deus” que idealizou aquela que é a mais alta igreja do mundo. A torre tem 172,5 metros de altura. Gaudi, que nasceu a 25 de junho de 1852 e morreu a 10 de junho de 1926 (três dias depois de ter sido atropelado por um elétrico na Gran Vía), foi declarado em abril do ano passado como “venerável” pelo papa Francisco. A Igreja Católica reconheceu as “virtudes heróicas” do arquiteto catalão, o que precede uma eventual beatificação. Ainda na Catalunha, haverá uma oração na Catedral de Santa Cruz e Santa Eulália e uma vigília no Estádio Olímpico Lluís Companys. O papa visita ainda uma prisão e reza na Abadia de Montserrat.Mas a viagem não começa em Madrid? O que está previsto o papa fazer na capital?Leão XIV fica três dias em Madrid, começando a viagem com uma visita de cortesia aos reis Felipe VI e Letizia no Palácio Real, antes de um encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Segue-se a visita a um projeto social para sem-abrigo, com o primeiro dia a terminar com uma vigília de oração com jovens na Plaza de Lima. No domingo, a missa será na Plaza de Cibeles, sendo que à tarde haverá o evento de “Conexões com o mundo da cultura, a arte, os negócios e o desporto”, na Movistar Arena. A segunda-feira será um dia mais político, com o encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez - que também vai quebrar a sua própria regra de não participar em missas católicas e assistir à na Sagrada Família - antes de discursar no Congresso de Deputados (em sessão conjunta com o Senado). É o primeiro papa a fazê-lo, fazendo-o enquanto chefe de Estado. Num contexto político tão polarizado em Espanha, o que se pode esperar do discurso?O final da viagem do papa, quando for para as ilhas Canárias, será dedicado aos migrantes, esperando-se que o tema seja também abordado no discurso no Congresso. O governo de Sánchez aprovou a regularização de 500 mil migrantes, algo que a igreja espanhola elogiou, mas que foi criticado pela oposição. E também tem sido uma voz ativa no “não à guerra”, numa mensagem pacifista que o papa também defende - tanto o primeiro-ministro como o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, defenderam Leão XIV no choque recente com o presidente norte-americano, Donald Trump. Mas o Executivo nega querer politizar a viagem ou querer que esta se torne numa espécie de apoio à gestão do governo, numa altura em que o PSOE está debaixo de fogo devido às inúmeras acusações de corrupção. Na oposição, o Vox está em choque com a Igreja, pela postura dos bispos em relação aos temas migratórios - o partido de extrema-direita tem defendido a ideia de “prioridade nacional”, tentando tirar apoios aos migrantes. Mas estará no evento, ao contrário do Podemos. Os quatro deputados do partido da esquerda radical já anunciaram que não estarão presentes, lembrando que o estado é secular e acusando Leão XIV de ser “cúmplice” com os abusos sexuais na Igreja. Também o Bloco Nacionalista Galego estará ausente.Haverá algum encontro com as vítimas dos abusos sexuais?Não está previsto nada na agenda oficial do papa, que pode ainda decidir à última hora mudar a situação. Uma associação de vítimas já disse que pretende fazer uma concentração próximo da Nunciatura quando o papa es- tiver em Madrid. Em janeiro, a Igreja chegou a acordo com o governo para um plano de reparações às vítimas para as quais o recurso legal já não era possível devido à prescrição ou ao faleci- mento dos perpetradores. Nas Canárias o tema será os migrantes, mas o que está concretamente na agenda?O papa chega a Las Palmas na quinta-feira, reunindo com organizações que trabalham com os migrantes em Arguineguín, ponto de chegada de milhares de pessoas nos últimos anos. Vai receber de presente um quadro onde se lê “Europa ou morrer” de um dos 500 mil migrantes que se espera participem no evento, que visa mostrar a realidade migratória nas Canárias e transformar o relato do “molhe da vergonha” no “molhe da esperança”. No dia seguinte, já em Tenerife, conhecerá o centro de acolhimento temporário “Las Raíces”, um dos principais que acolhem migrantes nas Canárias.Quanto custa tudo isto?Um dos coordenadores da viagem, Fernando Giménez Barriocanal, disse à EFE que a viagem custará 25 milhões de euros, com cerca de 20% a caber às autoridades públicas. Mas o impacto económico da viagem ronda os 150 milhões de euros, segundo o mesmo responsável. .Humanidade e algoritmos: o alerta de Leão XIV ao mundo.Presidente da República convida papa Leão XIV a visitar Portugal em 2027.Leão XIV: um ano do papa da “serenidade desarmante” que está a fazer ouvir a sua voz