O chanceler Merz no púlpito, com a bancada da AfD ao fundo, incluindo a co-líder Alice Weidel (de branco).
O chanceler Merz no púlpito, com a bancada da AfD ao fundo, incluindo a co-líder Alice Weidel (de branco).FOTO:EPA/CLEMENS BILAN

Merz diz que planos de "remigração" da AfD são "limpeza étnica"

Chanceler alemão atacou o partido de extrema-direita num debate no Parlamento, dias depois da vitória histórica da AfD na Saxónia-Anhalt.
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O chanceler alemão, Friedrich Merz, atacou esta quarta-feira (9 de setembro) a política migratória da Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla original), comparando a ideia de “remigração” em massa que o partido de extrema-direita defende a uma “limpeza étnica”.

Num debate no Bundestag (Parlamento alemão), o primeiro desde a vitória da AfD nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt, o chanceler avisou das consequências desastrosas que tal medida traria para a economia alemã.

“A ‘remigração’ não é mais do que sinónimo de limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele”, disse Merz depois de a colíder da AfD, Alice Weidel, alegar que os conservadores não compreenderam a mensagem das urnas. “O povo quer uma mudança de política, e vai tê-la. Nas próximas eleições, o povo dará ao AfD um mandato claro para governar”, afirmou Weidel.

Na sua intervenção, Merz lembrou que “um em cada seis trabalhadores” de profissões especializadas na Alemanha “têm passaporte estrangeiro”.

O chanceler alertou para as consequências da “remigração” na economia, dirigindo-se à bancada da AfD, que em vários momentos o vaiou: “Se aqueles que trabalham na Alemanha forem forçados a deixar o país porque vocês defendem a ‘remigração’, então os ofícios especializados na Alemanha não poderão mais funcionar.”

E exemplificou: “Nenhum lar permanecerá aberto e nenhum hospital na Alemanha continuará a funcionar. Nenhum restaurante conseguirá manter-se em funcionamento. Esse seria o resultado da vossa política migratória.”

Merz defendeu que há consenso dentro da coligação governamental (que além dos conservadores da CDU e aliados bávaros da CSU inclui os sociais-democratas do SPD) de que muitas pessoas sem direito de residência permanente na Alemanha deveriam ser deportadas.

“Mas fazemos uma distinção cuidadosa entre aqueles que trabalham na Alemanha, que contribuem para a nossa prosperidade, que são bem-vindos na Alemanha, e aqueles que não têm o direito de residência permanente e que devem deixar o nosso país novamente”, disse.

A intervenção da colíder da AfD foi antes da de Merz. Weidel tinha criticado a política migratória do governo, dizendo que tinha tornado a Alemanha insegura. “Os cidadãos alemães têm de viver com as consequências diárias da migração em massa”, disse. “Com a violência que envolve facas todos os dias, ataques em comboios e estações, e paisagens urbanas degradadas e ameaçadoras”, acrescentou.

Na resposta, Merz acusou a AfD de contribuir para os esforços de “desestabilização” russos na Alemanha, depois da tentativa de ataque com um drone no aeroporto de Leipzig. “A senhora não disse nada sobre o que aconteceu no dia 4 de agosto no aeroporto de Leipzig”, disse Merz. “A senhora é parte do problema que temos aqui na Alemanha”, acrescentou.

A colíder do AfD atacou não só a CDU, mas também a aliança com o SPD. “Os eleitores da Saxónia-Anhalt deixaram-vos absolutamente claro, na linguagem da escolha democrática: o preto e o vermelho acabaram”, afirmou Weidel, referindo-se às cores tradicionais dos partidos conservadores e do SPD.

“Vocês não perceberam a mensagem que os eleitores da Saxónia-Anhalt enviaram no passado domingo”, disse, acrescentando que “isso não interessa muito, porque o vosso tempo acabou”.

Weidel mostra-se confiante na vitória da AfD a nível nacional nas próximas eleições, previstas para 2029, depois de ter ganho na Saxónia-Anhalt . Há vários meses que as sondagens dizem que será o partido mais votado. A última, do instituto INSA, feita entre 4 e 7 de setembro, dá 29% da intenção de voto à AfD. Os conservadores surgem com 19,5%, os Verdes com 13,5%, o SPD com 12,5% e o Die Linke (A Esquerda) com 10,5%.

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