Mais 6,1 mil milhões de euros e muitas visitas para celebrar o Dia da Independência da Ucrânia
SERGEY DOLZHENKO/EPA

Mais 6,1 mil milhões de euros e muitas visitas para celebrar o Dia da Independência da Ucrânia

A Coligação da boa vontade reúne-se esta segunda-feira em Kiev para celebrar o 35.º aniversário da independência da Ucrânia. Zelensky garantiu que garantiu que o país não se renderá a qualquer preço.
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A Comissão Europeia anunciou esta segunda-feira, 24 de agosto, dia em que se celebra a Independência da Ucrânia, 6,1 mil milhões de euros em novas aquisições de material de defesa para o país. Este financiamento integra o Empréstimo de Apoio à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, e acontece num dia em que se realiza em Kiev uma reunião da chamada Coligação da Boa Vontade.

“No Dia da Independência da Ucrânia, a Comissão Europeia aprovou 6,1 mil milhões de euros em novas aquisições de material de defesa para a Ucrânia. Este financiamento abrange sistemas de defesa aérea e antimíssil, mísseis, munições e radares, reafirmando o compromisso da Europa em apoiar a defesa e a resiliência da Ucrânia perante a contínua agressão russa”, indica o executivo comunitário em comunicado.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, realça que esta iniciativa “demonstra que o apoio [da União Europeia] é inabalável e concreto” e sublinha que, perante a intensificação dos ataques russos, a UE está a reforçar o apoio a Kiev para “ajudar a Ucrânia a proteger a sua população e a defender o seu espaço aéreo”.

“A Europa está ao lado da Ucrânia e iremos fornecer-lhe o que necessita, quando necessita”, garante no dia em que a Coligação da boa vontade se reúne em Kiev para celebrar o 35.º aniversário da independência da Ucrânia.

Portugal apoia soberania e integridade territorial

A reunião terá um formato híbrido - alguns dirigentes não estarão em Kiev, caso do ministro dos Negócios Estrangeiros português, que participa por videoconferência. Paulo Rangel já reafirmou, numa publicação nas redes sociais o apoio de Portugal à soberania, integridade territorial e ao futuro europeu da Ucrânia.

"Portugal celebra com todo o povo ucraniano os 35 anos da independência da Ucrânia. Portugal reafirma o seu apoio à soberania, à integridade territorial e ao futuro europeu da Ucrânia. E condena os ataques atrozes das últimas semanas. Feliz Dia da Independência, Ucrânia!", refere a nota do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Seguro deseja que dentro de um ano haja paz

O Presidente da República enviou uma mensagem ao homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, “e a todos os cidadãos ucranianos”, prestando tributo àqueles “que defendem esta independência no terreno”.

Na mensagem vídeo, António José Seguro sublinhou que “o apoio de Portugal à Ucrânia, à sua soberania e integridade territorial e ao corajoso povo ucraniano continua e continuará a ser incondicional, tal como tem sido desde o primeiro dia”, de acordo com uma nota divulgada pela Presidência da República.

Reiterando que Portugal “continuará a prestar apoio político, humanitário, financeiro e militar à Ucrânia enquanto for necessário”, o chefe de Estado “formulou votos muito sinceros para que as comemorações do 24 de agosto de 2027 decorram já em tempo de paz”.

“O 35.º aniversário da independência da Ucrânia representa, hoje, volvidos quatro anos desde o início de uma trágica guerra, uma dupla vitória: a vitória do tempo, que consolidou a identidade nacional, e a vitória da vontade coletiva do corajoso povo ucraniano, que se recusa a ceder perante a força”, destacou Seguro.

O Presidente da República considerou que “hoje é dia para honrar aqueles que defendem esta independência no terreno, é dia para reconhecer o sacrifício de tantas famílias, é dia para reafirmar a capacidade de um povo de manter viva a soberania, mesmo quando ela é direta e reiteradamente desafiada”.

“Estes 35 anos de independência são um testemunho vivo de que a identidade de um povo não se mede pela ausência de adversidade, mas pela forma como a enfrenta”, prosseguiu Seguro, completando que “a amizade entre Portugal e a Ucrânia é uma amizade entre povos que partilham valores fundamentais e uma comum determinação de defender a liberdade, a democracia e o respeito pelo Direito Internacional”.

O Presidente da República terminou a mensagem com a saudação em ucraniano “Slava Ukraini!” (Glória à Ucrânia).

Em representação do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, estão em Kiev deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Ucrânia, nomeadamente o líder parlamentar do PS e presidente deste grupo parlamentar, Eurico Brilhante Dias, os vice-presidentes do Grupo Parlamentar de Amizade Francisco Figueira (PSD) e Rodrigo Saraiva, Rui Tavares (Livre) e Paulo Núncio (líder parlamentar do CDS-PP).

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, está em Kiev para a reunião. "É um orgulho estar aqui num dia tão importante, que reafirma o apoio inabalável da UE”, escreveu António Costa na rede social X, defendendo que a Ucrânia "é uma nação livre e corajosa”. “A sua luta é também a nossa luta”, concluiu.

A celebração do Dia da Independência e o financiamento hoje aprovado surge numa altura em que a Rússia intensifica os ataques com mísseis balísticos e drones. No entanto, numa mensagem divulgada esta segunda-feira nas redes sociais, o presidente ucraniano garantiu que a Ucrânia não se renderá à Rússia a qualquer preço.

Zelensky diz que China não pode continuar em silêncio

SERGEY DOLZHENKO/EPA
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"A Ucrânia quer a paz, sem dúvida, mas não está pronta para simplesmente se render", disse Volodymyr Zelensky, citado pela Reuters, acrescentando que a cedência à exigência russa para ceder a parte restante do Donbass não é suficiente para pôr um ponto final na guerra. "Não permitiremos que eles (os russos) tomem a iniciativa, enganem a Europa e o mundo inteiro fazendo-os pensar que simplesmente precisamos de desistir do Donbas e tudo acabará em breve", disse.

Zelensky acusou Putin de estar "preso ao passado" e pediu à China que se manifeste contra as ameaças de Moscovo sobre o uso de armas nucleares.

"A China não pode continuar em silêncio", defendeu."A China deve provar a ambição de ser um dos líderes mundiais, não só nos campos económico e tecnológico, mas também no civilizacional, deixando claro que nenhum ditador deve ameaçar o planeta com ogivas obsoletas", afirmou neste discurso em que elogiou "a força de espírito" demonstrada pelo povo ucraniano.

*Com Lusa

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