A maioria dos eleitores britânicos acredita que o primeiro-ministro Keir Starmer na sequência do escândalo em torno das ligações do ex-embaixador nos Estados Unidos Peter Mandelson a Jeffrey Epstein, revelou esta quarta-feira, 11 de fevereiro, uma sondagem do Politico. Este estudo de opinião, realizado online entre os dias 6 e 9 de fevereiro pela Public First, mostra como a imagem de Starmer, no poder desde julho de 2024 após uma vitória esmagadora dos trabalhistas, se encontra fragilizada devido ao facto de ter nomeado Mandelson para representar o Reino Unido em Washington. “A maioria dos eleitores, independentemente do partido em que pretendem votar, quer algumas demissões por causa disso, mas só os eleitores do Partido Trabalhista dizem que os conselheiros devem sair, e não o próprio Starmer”, disse ao Politico Seb Wride, chefe de sondagens da Public First. “Os acontecimentos do fim de semana podem ser suficientes para satisfazer os ativistas trabalhistas e a maioria dos seus eleitores, mas será difícil convencer aqueles que já se opõem ao Partido Trabalhista de que já fizeram o suficiente para avançar.”Os números recolhidos mostram que 52% dos britânicos acham que o primeiro-ministro deveria demitir-se, enquanto 19% disseram que deveria manter-se no cargo, mas que os seus conselheiros deveriam demitir-se. O que já começou a acontecer: o chefe de gabinete de Keir Stamer, Morgan McSweeney, afastou-se no domingo, e o seu diretor de Comunicação, Tim Allan, fez o mesmo na segunda-feira. Apenas 15% defendem a continuação do trabalhista e dos seus conselheiros. Já entre os que pedem a demissão do primeiro-ministro, 47% afirmaram que havia outros motivos, para além do escândalo Mandelson, para que a liderança do governo mudasse.A confiança em Starmer não melhora quando o universo são os eleitores trabalhistas – 23% acha que o primeiro-ministro britânico deveria abandonar o número 10 de Downing Street e e 32% disse que apenas os seus conselheiros deveriam sair. De notar ainda que uma maioria dos britânicos (64%) disseram acreditar que o primeiro-ministro tinha informação suficiente sobre a relação entre Mandelson e Epstein para saber que a sua nomeação era má ideia, enquanto apenas 21% afirmaram ter acreditado nas explicações dadas por Downing Street sobre a falta de informação de Starmer sobre o assunto. Por fim, 57% disseram que o episódio diminuiu a sua confiança nos líderes para fazerem a coisa certa, com 41% dos trabalhistas a revelar que sentiam menos confiança nos seus líderes.Num evento na terça-feira, Keir Starmer deixou claro que não está a pensar desistir.“Nunca abandonarei o mandato que me foi dado para mudar este país”. E explicou que a verdadeira luta não é interna, no Partido Trabalhista, mas é contra a “política da divisão” do Reform UK, o partido populista liderado por Nigel Farage, que há meses lidera as intenções de voto no Reino Unido. .Starmer promete não desistir e uma revolta interna é difícil antes de eleições de maio.Keir Starmer entre as manifestações de apoio e os pedidos de demissão