Depois de ter perdido o seu chefe de gabinete no domingo, com Morgan McSweeney a ceder à indignação com o seu papel na nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA agora que foi conhecida a extensão da sua relação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, o primeiro-ministro britânico assistiu esta segunda-feira, 9 de fevereiro, à renuncia de mais um membro do seu gabinete, desta vez o diretor de comunicação. “Decidi renunciar ao cargo para permitir a formação de uma nova equipa para o número 10 [de Downing Street]. Desejo ao primeiro-ministro e à sua equipa muito sucesso”, disse Tim Allan ontem em comunicado.A perda destes dois importantes conselheiros surge numa altura em que Keir Starmer tenta colocar um ponto final na crise desencadeada pela da nomeação de Mandelson como embaixador nos EUA. “O que mais me irrita é a destruição da crença de que a política pode ser uma força para o bem e mudar vidas. Deixei absolutamente claro que me arrependo da decisão que tomei de nomear Peter Mandelson. E pedi desculpa às vítimas, o que é o correto a fazer”, disse esta segunda-feira Starmer à equipa de Downing Street, segundo uma nota divulgada pelo Labour. Na mesma comunicação, e numa indicação de que não pretende demitir-se, o líder britânico sublinhou que “precisamos de provar que a política pode ser uma força para o bem. Eu acredito que pode. Eu acredito que é. Seguimos em frente a partir daqui. Seguimos com confiança enquanto continuamos a transformar o país”.Logo no domingo começaram a surgir múltiplos pedidos de demissão vindos da oposição, como a líder dos Conservadores, Kemi Badenoch, a dizer que o primeiro-ministro precisa de “assumir a responsabilidade pelas suas próprias decisões terríveis”.Esta segunda-feira estes apelos a que Keir Starmer abandone a chefia do governo britânico estenderam-se aos trabalhistas, com especial destaque para o líder do Labour na Escócia, que defendeu ontem que a sua primeira lealdade é para com a Escócia, não estando disposto a sacrificar as escolas e os hospitais escoceses em prol de uma terceira década de governo do SNP, numa referência às eleições parlamentares de maio. “Não estou disposto a sacrificar o Serviço Nacional de Saúde da Escócia (NHS), as nossas escolas, as nossas comunidades, as nossas cidades, vilas e ilhas por uma terceira década de governo do SNP. É por isso que esta distração tem de acabar. E a liderança em Downing Street precisa de mudar”, afirmou ontem Anas Sarwar. Para este líder trabalhista, “a situação em Downing Street não é suficientemente boa. Muitos erros foram cometidos”, acrescentando que, apesar de o governo de Londres também ter feito coisas boas, “ninguém as conhece e ninguém as consegue ouvir porque estão a ser abafadas. É por isso que isto não pode continuar”.Sarwar revelou ainda ter falado durante a manhã com Keir Starmer, altura em que o avisou da atitude pública que iria tomar - “podemos afirmar com segurança que ele e eu discordámos”. “Causou-me mágoa e dor pessoal? Claro que sim. Este homem é alguém que considero um amigo e a quem devo muita lealdade. Mas a minha prioridade e a minha maior lealdade devem ser para com o meu país, a Escócia. E é essa a decisão que tomei em relação às eleições de 7 de maio”, repetiu Sarwar. Em termos de apoios, todos os membros do governo de Keir Starmer manifestaram publicamente apoio à sua continuidade como primeiro-ministro. Mensagens que, segundo o Guardian, começaram a ser publicadas nas redes sociais na atura em que Sarwar deu início à sua conferência de imprensa. O número 2 do governo, David Lammy, lembrou o “mandato expressivo” conquistado há 18 meses para um período de cinco anos. “Não devemos deixar que nada nos distraia da nossa missão de transformar a Grã-Bretanha, e apoiamos o primeiro-ministro nesse propósito”. “O Keir conquistou o direito de implementar as mudanças que prometeu e de fazer o que lhe importa: servir o país. Este não é o momento para o governo se fechar sobre si próprio. Devemos concentrar-nos em concretizar as mudanças que prometemos ao país”, escreveu Ed Miliband, o secretário da Energia. .Chefe de gabinete de Starmer demite-se devido a ligações a Mandelson.Depressão Epstein empurra Starmer para as cordas