Emmanuel Macron presidiu ontem ao primeiro Conselho de Ministros do novo governo francês.
Emmanuel Macron presidiu ontem ao primeiro Conselho de Ministros do novo governo francês.EPA/Michel Euler / POOL

Macron pede resultados e rapidez ao novo governo

Equipa pende mais para a direita e tem surpresas como Rachida Dati, ex-ministra de Sarkozy e suspeita de corrupção.
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Emmanuel Macron presidiu ontem ao primeiro Conselho de Ministros do seu novo governo, cuja composição foi anunciada na quinta-feira, sendo liderado por Gabriel Attal, o mais jovem primeiro-ministro da história da V República de França. No encontro, que durou cerca de meia hora, o presidente pediu aos ministros para que sejam “revolucionários” e não “gestores”, mas também “disciplinados”, segundo comentários relatados à AFP.

“Peço-vos solidariedade e celeridade, que são condição para a eficácia”, referiu Emmanuel Macron, acrescentando: “Espero de vocês resultados, mais resultados e mais resultados”. “Este governo será de disciplina republicana. Não quero humores, quero registos de serviço”, insistiu.

E os pedidos do presidente francês ao seu novo governo prosseguiram. “Vocês personificam o regresso às origens do que somos, superando-nos ao serviço do país, o espírito de 2017”, referindo-se à sua primeira eleição como chefe de Estado. “É uma responsabilidade histórica. Estejam à altura disso”.

De acordo com o Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron falará publicamente no início da próxima semana sobre a escolha de Gabriel Attal para primeiro-ministro, empossado na terça-feira, sendo que, segundo o Le Monde, também deverá ser apresentado o roteiro do governação para o resto do seu mandato - as próximas eleições estão marcadas para 2027 e Macron não se pode recandidatar.

O elenco ministerial do novo governo francês foi conhecido na quinta-feira ao final do dia, com nomes de pesos pesados a transitarem do anterior executivo, o desaparecimento de figuras da Esquerda e algumas surpresas. 

Entre as figuras reconduzidas nas respetivas pastas estão Bruno Le Maire, como ministro da Economia, e Gérald Darmanin, como ministro do Interior. Outros responsáveis que se manterão nos cargos são Sébastien Lecornu (à frente do Ministério das Forças Armadas) e Eric Dupond-Moretti (na pasta da Justiça).

Para os Negócios Estrangeiros, foi nomeado o eurodeputado e líder do partido do presidente, Stéphane Séjourné, próximo de Macron e ex-companheiro de Gabriel Attal. Mas a principal surpresa é a nomeação para a Cultura de Rachida Dati, ex-ministra da Justiça de Nicolas Sarkozy, sobre a qual recaem suspeitas de corrupção, tendo, por isso, sido expulsa d’Os Republicanos. 

Catherine Vautrin, que teve várias pastas com Jacques Chirac, assume o superministério do Trabalho, a Saúde e a Solidariedade. Em ano de Jogos Olímpicos em Paris, Amélie Oudéa-Castéra terá outro superministério: da Educação, da Juventude (pastas que Attal tinha no anterior executivo), do Desporto e dos Olímpicos e Paralímpicos. 

Embora os principais ministros se mantenham, algumas figuras-chave foram afastadas, como o porta-voz do governo cessante, Olivier Véran, e o ministro do Trabalho, Olivier Dussopt, que liderou a impopular revisão da lei das pensões, ou Agnès Pannier-Runacher, até agora ministra da Transição Energética. Estes e outros não-reconduzidos provinham da esquerda, o que faz com que o novo governo penda mais para a direita.

ana.meireles@dn.pt

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