Lula da Silva, presidente do Brasil e candidato à reeleição nas eleições de outubro, chamou Flávio Bolsonaro, o seu principal concorrente nesse sufrágio, de “traidor da pátria”. Em causa as tarifas dos EUA a produtos importados do Brasil anunciados por Washington logo após reunião do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na Casa Branca.Em conselho de ministros, Lula começou por lembrar encontro recente com Donald Trump onde ficaram definidos termos de cooperação entre os países em diversos setores. “Eu saí de lá convencido de que estávamos estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui apanhado de surpresa com a decisão deles de ontem, e a de antes de ontem", afirmou referindo-se ao aumento das tarifas e à decisão de considerar as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas, o que pode gerar intervenção militar americana em solo brasileiro.“O que é mais triste, é que tem brasileiros fomentando essa briga, na perspectiva de que se ele nos taxar ele vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Mas o que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula", continuou o presidente.“Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura, ou de levar vantagem, é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome, a não ser dizer: em qualquer outro país do mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria. É o que eles fizeram, não tem explicação".O senador Flávio Bolsonaro contra-atacou: “Se o presidente tivesse boa relação com os EUA, o Brasil estaria fora dessa lista. Essa tarifa é do Lula, é por causa do seu comportamento de agressão aos EUA que as empresas brasileiras podem ser penalizadas”, disse em evento em Contagem, Minas Gerais. Lula chamou ainda o secretário de estado americano de origem cubana Marco Rubio de “latino-americano frustrado” que “não gosta do Brasil”. E anunciou que vai voltar a falar com Trump. “Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, que eles estão equivocados, e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária"..Tanto Lula como Flávio apostam no “fator Trump” em campanha.“Não somos republiqueta”, reage Lula após Trump classificar PCC como grupo terrorista