Louvores, cânticos de futebol e anti-PT em pavilhão lotado para carregar Flávio Bolsonaro
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Louvores, cânticos de futebol e anti-PT em pavilhão lotado para carregar Flávio Bolsonaro

“Tudo seu é por fora, Lula. Minha vida é um livro aberto”, afirmou Flávio, dizendo que levaria o desafio “até as últimas consequências”.
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Um pavilhão lotado na cidade periférica de Guarulhos ao som de louvores a Deus, cânticos de futebol e gritos de “fora PT” recebeu Flávio Bolsonaro em êxtase para o levar à vitória nas presidências brasileiras de domingo.

Ainda antes da chegada do candidato, por volta das 11:00 locais (15:00 em Lisboa), o pavilhão já fervilhava: luzes de discoteca, música alta e um animador de palco, com gestos e entoação de pastor evangélico, conduzia os apoiantes ao delírio.

Seguiram-se os hinos do Corinthians, do Palmeiras, equipa de Jair Bolsonaro, e do Vasco da Gama, clube de Flávio.

O animador puxou também por cânticos de louvor a Deus e da recitação do Pai-Nosso, numa sequência que fazia lembrar os cultos da Assembleia de Deus.

Nos ecrãs, uma sequência de estética ‘hollywoodiana’ preparava a entrada do “filho do mito”, o “01”, como é conhecido Flávio Bolsonaro por ser o filho mais velho de Jair.

Esferas luminosas, um eclipse e um globo nas cores do Brasil, num espetáculo com dramatismo que fazia lembrar os cenários de WWE (espetáculos de wrestling famosos nos Estados Unidos).

Entre os apoiantes, Carlos, de 66 anos, conta à Lusa que o Partido dos Trabalhadores (PT) “está aí está há quase 20 anos” e “não tem mais nenhuma proposta mais positiva para a gente”.

“Eu sou a favor da mudança”, afirmou o morador de Guarulhos, município vizinho à capital paulista, que tem cerca de 1,35 milhões de habitantes e abriga o aeroporto mais movimentado da América Latina, e cujos habitantes passam longas horas em filas nas estradas para trabalhar em São Paulo.

Um pouco mais à frente encontrava-se um grupo de estudantes de medicina na Unisa, a Universidade Santo Amaro, uma faculdade privada de Guarulhos.

Uma delas, sorridente, empunhava um cartaz onde se lia que “faltam quatro dias para aposentar o Lula”, numa referência à idade avançada do atual Presidente brasileiro e aos quatro dias que faltam para a segunda e decisiva volta, a que mais de 156 milhões de brasileiros são chamados às urnas.

A amiga, Rafaela Militão, de 20 anos, também estudante de medicina na Unisa, criticou a promessa de Lula de mudar o país num novo mandato.

“Acho que isso de ele ficar falando que vai mudar, que vai mudar depois de mais quatro anos, é muita enganação com pessoas, principalmente pessoas simples”, disse à Lusa.

O outro estudante, João Porfírio, de 40 anos, disse que o poder de compra dos brasileiros “caiu muito com a entrada da esquerda”.

Para ele, um Governo de Flávio deve ajudar as famílias a fazer face ao custo de vida: “As pessoas que vivem com o salário mínimo conseguir comprar mantimentos, roupas e sustentar a sua família”.

O tempo foi passando ao som de “quem ficar parado é petista disfarçado”, “fora PT” e simulações de uma chegada heroica de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliária por ter sido condenado a mais de 27 anos por atentar contra o Estado Democrático de Direito.

Por volta das 12:30 locais (16:30 em Lisboa), o animador chama Flávio e chegam, a dançar, os vários prefeitos do partido, os deputados eleitos e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Discursam as várias personalidades, entre elas Lucas Pavanato, recém-eleito deputado federal com mais de 3.000.000 de votos.

“Vamos demitir o Alexandre de Moraes”, disse o político influenciador digital, que se tornou conhecido pelas posições contra o aborto e pelas críticas a políticas de identidade de género, referindo-se ao juiz que conduziu o processo contra Jair Bolsonaro.

Depois, surge Flávio, dançando rodeado de crianças.

Anuncia que aceitou levantar os seus sigilos bancário e telefónico, em resposta ao desafio de Lula, mas condicionou a decisão à divulgação dos registos do ex-assessor do Presidente, do Instituto Lula e do cartão corporativo do Governo.

“Tudo seu é por fora, Lula. Minha vida é um livro aberto”, afirmou Flávio, dizendo que levaria o desafio “até as últimas consequências”.

A segunda volta das presidenciais brasileiras é disputada no domingo. Na primeira volta, em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

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