Giorgia Meloni anunciou a organização de uma cimeira para a reconstrução da Ucrânia, em julho.
Giorgia Meloni anunciou a organização de uma cimeira para a reconstrução da Ucrânia, em julho.EPA/ALESSANDRO DI MEO

Líder ucraniano acumulou milhas para gerir expectativas “sobreaquecidas”

Sem palco para apresentar o seu “plano de vitória”, Zelensky percorreu, em alternativa, os céus europeus para em poucas horas se reunir com dois chefes de Estado, três primeiros-ministros e o secretário-geral da NATO. 
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A operação de Volodymyr Zelensky para salvar o ímpeto da apresentação do “plano de vitória” terminou em Berlim junto de um chanceler que, perante o pedido do ucraniano para não baixar o nível de assistência militar, confirmou-o com todas as palavras, embora dizendo-o como se estivesse a duplicá-lo e não a cortá-lo para metade. Como escreveu na véspera o analista Volodymyr Fesenko, Kiev caiu no erro de “sobreaquecer as expectativas” sobre o referido plano, bem como da adiada reunião de Ramstein, onde o presidente ucraniano iria detalhar o projeto junto dos líderes aliados. 

“A Alemanha está determinada em manter-se ao lado da Ucrânia. A Alemanha é o mais forte parceiro militar da Ucrânia na Europa e vai continuar a ser assim. Posso garantir-vos isso”, disse Olaf Scholz no final da reunião com o presidente ucraniano. Este, ao revelar que o seu plano contempla o fim da guerra “o mais tardar em 2025”, instou a que os aliados não só não aumentem como redobrem os esforços para que a Ucrânia esteja numa posição de força antes da projetada segunda cimeira de paz, que desta vez contemplaria a presença de representantes russos. Scholz, no entanto, confirmou o que já era conhecido: em 2025 a ajuda militar de Berlim vai rondar 4 mil milhões de euros, metade do valor deste ano. Até lá, garantiu, Kiev irá receber um pacote de assistência no valor de 1,4 mil milhões graças ao esforço conjunto de Alemanha, Bélgica, Dinamarca e Noruega, e que contempla, entre outros, tanques de guerra, tanques antiaéreos e sistemas de defesa aérea.

O chanceler alemão confirmou que o valor da assistência militar vai cair para metade em 2025. EPA/CLEMENS BILAN

Zelensky, na sua quarta visita à Alemanha neste ano, mostrou-se agradecido. “A Alemanha é o país que mais nos ajudou em termos de defesa aérea. É um facto.” Em público não insistiu num assunto que causou tensão entre Berlim e Kiev - e entre o governo de coligação germânico -, os mísseis de longo alcance Taurus.

A agenda de Zelensky na sexta-feira começou com uma audiência de 35 minutos com Francisco. O tema principal foi o da mediação do Vaticano para a troca de prisioneiros. “Contamos com a ajuda da Santa Sé para ajudar a trazer de volta os ucranianos que foram levados em cativeiro pela Rússia”, escreveu o ucraniano após o encontro com o pontífice, a que se seguiu outro com o cardeal Pietro Parolin, o secretário de Estado da Santa Sé. Foi graças aos serviços do Vaticano que a Rússia libertou dois padres da Igreja Greco-Católica da Ucrânia.

Zelensky aproveitou para manifestar pesar pela morte da jornalista Viktoria Roshchyna, de 27 anos. A ucraniana foi presa em agosto de 2023, quando fazia reportagens no leste do país, mas Moscovo só confirmou a sua detenção em maio deste ano. Segundo Andriy Yusov, porta-voz dos serviços de informações militares ucranianos, em declarações ao Politico, a jornalista iria fazer parte do próximo grupo de prisioneiros a trocar. 

Zelensky havia pernoitado em Roma, onde à noite se reunira com a primeira-ministra italiana e atual presidente do G7. De Giorgia Meloni ouviu palavras de apoio, mas a única novidade foi o anúncio de que Roma vai organizar uma conferência para a reconstrução da Ucrânia nos dias 10 e 11 de julho. Antes, o presidente ucraniano reunira-se com Emmanuel Macron em Paris e com Keir Starmer e Mark Rutte em Londres. Uma digressão para gerir as expectativas “sobreaquecidas” por Kiev, segundo palavras do diretor do Centro de Estudos Políticos Penta, quando na capital ucraniana já havia vozes a acusar Joe Biden de “traição” pelo adiamento da reunião de Ramstein.

Rússia e Irão em sintonia

Os presidentes da Rússia e do Irão encontraram-se no Turcomenistão, à margem de uma cimeira com a presença de líderes asiáticos. Na ocasião, Vladimir Putin e Massoud Pezehskian mostraram estar alinhados. “Estamos a trabalhar ativamente em conjunto na cena internacional e as nossas avaliações dos acontecimentos que ocorrem no mundo são frequentemente muito próximas”, afirmou Putin. “Em termos económicos e culturais, a nossa cooperação está a tornar-se mais forte todos os dias”, disse por sua vez Pezeshkian. 

O líder russo convidou o iraniano a uma visita oficial à Rússia, mas antes irão encontrar-se em solo russo, na cimeira dos BRICS, que terá lugar nos dias 22 a 24 em Kazan. O presidente iraniano disse ainda que o acordo de parceria estratégica entre Moscovo e Teerão poderá vir a ser assinado durante a cimeira.

cesar.avo@dn.pt

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