Marine Le Pen enfrenta a partir desta terça-feira, 13 de janeiro, e até 12 de fevereiro, um julgamento de recurso à sua condenação de março do ano passado e que vai determinar se poderá ou não candidatar-se nas presidenciais do próximo ano. Caso a decisão não lhe seja favorável este deverá ser o fim da carreira política da líder da extrema-direita francesa - depois de ter sido candidata presidencial por três vezes (2012, 2017 e 2022, sempre com uma votação crescente) -, pois já havia dito que as eleições de 2027 seriam a sua última tentativa para chegar ao Eliseu. O resultado do recurso só deverá ser conhecido no verão.Uma possibilidade com um travo amargo para Marine Le Pen pois, até à data da sua condenação, era dada pelas sondagens como a favorita a suceder a Emmanuel Macron, com uma vantagem média de dez pontos em relação aos adversários. Desde então, devido à sua inelegibilidade, o favorito nas intenções de voto passou a ser Jordan Bardella, o presidente do Reagrupamento Nacional (RN).Em causa está a condenação de Marine Le Pen, a 31 de março de 2025, a cinco anos de inelegibilidade, com efeitos imediatos, o que a impede de ser candidata às presidenciais, tendo sido ainda sentenciada a quatro anos de prisão, dois dos quais em pena suspensa, e ao pagamento de uma multa de 100 mil euros. A pena de prisão e a multa não serão aplicadas até que os recursos sejam esgotados. Marine Le Pen, o Reagrupamento Nacional e cerca de duas dezenas de elementos do partido de extrema-direita estavam acusados de desviar mais de quatro milhões de euros de fundos do Parlamento Europeu para pagar a funcionários do RN sediados em França e não a assistentes para as suas funções como eurodeputados. A defesa argumentou que o dinheiro foi usado de forma legítima e que as alegações definiram de forma demasiado restrita o que faz um assistente parlamentar. O tribunal considerou Le Pen, outros oito então eurodeputados e 12 assistentes parlamentares culpados de desvio de fundos da União Europeia, com a juíza do processo, Benedicte de Perthuis, a afirmar que Le Pen esteve “no centro” do esquema.Nessa manhã de 31 de março de 2025, Marine Le Pen saiu da sala do tribunal antes de ouvir a sua sentença, mas à noite foi ao telejornal da TF1 dizer aos franceses o que pensava do veredito. “A magistrada assumiu que se trata de uma decisão política, para impedir de me apresentar a uma eleição presidencial.”A líder da extrema-direita francesa alegou ainda que o Estado de Direito não estava a ser cumprido, pois a condenação relativa à inelegibilidade devia ter efeito suspensivo durante os recursos. “Há milhões de franceses indignados a um nível inimaginável, visto que, em França, no país dos Direitos Humanos, os juízes praticaram o que se pensava estar reservado a regimes autoritários”, disse na altura. Sobre o processo, Le Pen afirmou também que teve origem em “opositores políticos” e declarou-se “inocente”, tendo alegado que tudo não passa de “um desacordo administrativo” com o Parlamento Europeu.Dias mais tarde, a 6 de abril, voltou ao discurso de vitimização, comparando-se a Martin Luther King e prometendo que “nunca cederemos a esta violação da democracia”.Mas agora a sua estratégia em tribunal deverá ser outra, já que os advogados pretendem seguir uma defesa menos politizada para conquistar o apoio dos juízes. “Vamos entrar com uma certa humildade e tentaremos não encarar isto como um julgamento político”, disse ao Politico um dos coarguidos que estão a recorrer da condenação. Doze dos acusados, bem como o próprio partido, recorreram da sentença, incluindo o vice-líder do RN e presidente da Câmara de Perpignan, Louis Aliot. Outras 12 pessoas, incluindo uma das irmãs de Le Pen, aceitaram as condenações. Um outro condenado faleceu.Peimane Ghaleh-Marzban, presidente do tribunal de Paris que julgou o caso de Marine Le Pen, considerou na semana passada “inaceitável” a possibilidade de interferência estrangeira neste julgamento, após a revista Der Spiegel ter noticiado que os EUA tinham considerado impor sanções aos magistrados que condenaram a política de extrema-direita. “Se tais factos fossem verdadeiros ou viessem a concretizar-se, constituiriam uma interferência inaceitável e intolerável nos assuntos internos do nosso país”, afirmou Ghaleh-Marzban, citado pela AFP. .Marine Le Pen sofre nova derrota em tribunal .Justiça da UE rejeita processo de pai de Le Pen para evitar devolver 300 mil euros ao PE