Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano
Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iranianoFOTO: EPA

Líder parlamentar do Irão declara a Ucrânia como "alvo legítimo" por fornecer drones a Israel

Ebrahim Azizi considera que os ucranianos envolveram-se na guerra e, de acordo com a Carta da ONU, podem ser alvo de ataque.
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O presidente da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, acusou este sábado, 14 de março, a Ucrânia de se envolver na guerra contra o seu país, tornando-se num "alvo legítimo" ao fornecer drones a Israel.

"Ao prestar apoio com drones ao regime israelita, a Ucrânia, que já não tem poder, envolveu-se de facto na guerra e, de acordo com a Carta da ONU, tornou todo o seu território num alvo legítimo para o Irão", considerou o parlamentar iraniano nas redes sociais, quando se assinalam duas semanas desde o início da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, as forças de Teerão têm respondido com o lançamento de mísseis e drones contra Israel e os países vizinhos do Médio Oriente, visando bases militares norte-americanas, mas também infraestruturas energéticas, tecnológicas e financeiras.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou na sexta-feira que Kiev enviou equipas de especialistas para o Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita para partilhar a sua experiência no abate de drones com tecnologia iraniano, como os Shahed, usados na Ucrânia pela Rússia, um aliado próximo de Teerão.

Num encontro em Paris com Raza Pahlavi, filho do último xá e que se propõe substituir o regime teocrático no fim da ofensiva israelo-americana, Zelensky afirmou que a liderança do Irão sofreu "perdas significativas" e apelou para uma maior proteção do povo iraniano para que possa decidir o seu próprio destino.

Defendeu ainda o aumento da pressão internacional e os esforços conjuntos para alcançar estes objetivos, e manifestou o seu desejo de ver "um Irão livre" que não colabore com a Rússia nem desestabilize o Médio Oriente, a Europa e o mundo.

O apoio prometido pela Ucrânia aos aliados de Washington no Golfo foi descrito hoje pelo encarregado de negócios do Irão na Ucrânia como "uma piada", no contexto da ofensiva russa no país vizinho desde 2022.

"Em relação às medidas da Ucrânia contra os drones no Médio Oriente, consideramos essencialmente uma piada e um gesto puramente simbólico", disse Shahriar Amouzegar, em entrevista agência France Presse (AFP), apesar de as forças ucranianas reclamarem ampla experiência na neutralização de vagas destes dispositivos e com baixo custo quando comparado com sofisticados sistemas de defesa aérea como os norte-americanos Patriot.

Os Estados Unidos, que têm atuado como promotores do diálogo entre Kiev e Moscovo, anunciaram na sexta-feira a suspensão parcial e temporária das sanções ao comércio de petróleo russo, numa fase em que o preço do barril disparou para cerca de cem dólares devido à atual crise no Médio Oriente e à ameaça iraniana ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial.

No mesmo dia, o Presidente ucraniano estimou que o alívio das sanções de Washington ao petróleo russo armazenado em navios-tanque no mar poderá fornecer a Moscovo cerca de dez mil milhões de dólares (8,7 mil milhões de euros) para a guerra na Ucrânia.

Zelensky alertou ainda que, segundo os relatórios dos serviços de informação, a Rússia está a fornecer os drones usados pelo Irão contra os países vizinhos do Médio Oriente, bem como contra as forças europeias e norte-americanas estacionadas em várias bases da região.

"Suspender as sanções apenas para permitir que mais drones sobrevoem a área é, na minha opinião, simplesmente uma decisão errada", comentou Zelensky num encontro com o Presidente da França, Emmanuel Macron, poucas horas depois de um ataque com um drone a uma base curda no norte do Iraque ter morto um soldado francês e ferido outros seis.

A próxima ronda de negociações trilaterais sobre o conflito na Ucrânia ainda não foi agendada, num momento em que o foco do líder norte-americano, Donald Trump, está na guerra com o Irão.

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