Líder do MI5 alerta que o próximo 11 de Setembro pode estar a ser planeado para onde não estamos a olhar
O diretor do o MI5, o serviço de informação interna do Reino Unido, alertou esta sexta-feira que os serviços de informação não devem concentrar-se em excesso em ameaças passadas, mas sim aceitar que um novo choque estratégico, semelhante aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, pode já estar a ser preparado em locais para onde não estão a olhar.
Num artigo de opinião publicado esta sexta-feira no The Independent, Ken McCallum sublinhou ainda que as agências de segurança mundiais precisam de estar preparadas para se adaptarem aos desafios atuais e futuros, referindo que "sabemos que o próximo choque estratégico, por definição, não se parecerá com o anterior. Esta é, talvez, a lição mais importante de todas".
“Devemos, naturalmente, aprender sempre com o último ataque, mas precisamos de ter cuidado para não nos prepararmos brilhantemente para combater o inimigo de ontem, usando os métodos de ontem, contra o alvo de ontem. A verdade incómoda é que o próximo choque estratégico pode já estar a tomar forma em algum lugar para o qual ainda não estamos a olhar”, escreveu o líder do MI5, notando que a Al-Qaeda, responsável pelos ataques de há 25 anos nos EUA, apesar de enfraquecida, continua a ser uma ameaça. Bem como a aspiração deste grupo e outros de realizar ataques que causem um grande número de vítimas.
No mesmo artigo, Ken McCallum refere também que, ao contrário do que acontecia em 2001, muitos sistemas e serviços estão agora nas mãos de privados, cabendo assim aos governos, empresas e meio académico um trabalho conjunto para combater vulnerabilidades e conseguir responder rapidamente a uma crise. “Não podemos esperar pelo próximo choque para descobrir quem é o responsável pela vulnerabilidade, quem tem autoridade para agir ou quem deveria ter respondido ao apelo”, afirmou o líder do MI5.
“Devemos às vítimas do 11 de Setembro, e àqueles que, de outra forma, serão as vítimas do ataque de amanhã, algo mais do que apenas recordação. Devemos-lhes preparação, resiliência e a coragem de nos adaptarmos antes que o próximo choque aconteça”, pode ler-se no mesmo artigo.

