Kiev está a intensificar os seus ataques na Crimeia com o objetivo de isolar a península ucraniana, ocupada unilateralmente pela Rússia desde 2014, do controlo de Moscovo, com o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedoov, a afirmar na semana passada que a campanha de drones de Kiev está a transformar a península “numa ilha”. O mais recente exemplo das consequências destes ataques foi a suspensão da venda de combustível a civis, pelo menos até quarta-feira, por causa dos cortes nas linhas de abastecimento que ligam a Crimeia à Rússia. Partes da península vão estar também sem iluminação pública e os eventos públicos foram cancelados. “O combustível será vendido apenas a organismos governamentais que garantam o funcionamento e a segurança da República da Crimeia”, disse o governador nomeado pela Rússia, Sergei Aksyonov. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou no domingo que o exército havia atacado alvos militares e energéticos em ambos os lados da Ponte da Crimeia, que, através de uma via navegável de 35 quilómetros, liga a Crimeia Oriental à Península de Taman, na Rússia, servindo de corredor logístico para Moscovo. “As nossas sanções de longo alcance foram aplicadas à logística militar, à indústria petrolífera e à defesa aérea dos ocupantes. Os alvos de ambos os lados da Ponte da Crimeia foram atingidos: a logística marítima para o transporte de petróleo na região de Krasnodar e um depósito de petróleo na cidade temporariamente ocupada de Kerch”, explicou. Segundo o Guardian, citando canais ucranianos do Telegram, Kiev também atacou três ferries russos que transportavam veículos entre a Crimeia e a Rússia continental. “As Forças de Sistemas Não Tripulados (...) estão a operar na Crimeia. Sabem exatamente o que estão a fazer. Tudo o que posso dizer é: mantenham a pressão o mais possível”, disse ontem comandante da Guarda Nacional da Ucrânia, o major-general Oleksandr Pivnenko, sublinhando que os militares ucranianos querem dificultar o reabastecimento das forças russas.Estes ataques estão também a afetar campos de férias, suspensos desde esta segunda-feira, 22 de junho, até 1 de setembro. De acordo com autoridades russas, citadas pela Euronews, esta suspensão irá afetar “reservas, admissão e alojamento de crianças e grupos de crianças em campos de férias e de saúde infantil”. “Nas circunstâncias atuais, as medidas são necessárias para a segurança pública”, disseram as mesmas fontes.O turismo - a Crimeia é um destino de verão para muitos russos - também está a ressentir-se, tendo a empresa TurEtno, que opera neste setor, adiantado ao site de notícias RBC que cerca de 80% das reservas para junho foram canceladas, tal como metade das marcações para julho e agosto..Ucrânia: Kiev acusa Rússia de atacar embarcações civis no Mar Negro.Ucrânia acusa Rússia de destruir mosteiro do século XI em Kiev