O Departamento de Estado norte-americano confirmou esta quinta-feira (7 de abril) que vai acolher, na próxima semana, uma nova ronda de negociações de paz entre Israel e o Líbano. O anúncio do terceiro encontro entre representantes dos dois lados, surgiu depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter dado ordens para atacar o sul de Beirute - pela primeira vez desde o cessar-fogo de 16 de abril - de forma a matar um comandante da força de elite Radwan do Hezbollah. “Nenhum terrorista tem imunidade - o longo braço de Israel chegará a todos os inimigos e assassinos”, escreveu no X.O grupo xiita libanês não se pronunciou oficialmente sobre o bombardeamento, mas uma fonte do Hezbollah confirmou à agência francesa AFP a morte de Malek Ballout. “Aviões de guerra israelitas lançaram um ataque, tendo como alvo Ghobeiry”, nos subúrbios sul de Beirute, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano. Três mísseis terão atingido um apartamento residencial, sendo que vários edifícios terão ficado em ruínas.Este foi o primeiro ataque contra a capital libanesa desde o cessar-fogo anunciado a 17 de abril - e entretanto prolongado até 17 de maio. Um cessar-fogo que não impediu contudo ataques quase diários no sul do Líbano, além da demolição de habitações nos territórios ocupados, com Israel a prosseguir a sua política de destruição junto à fronteira para criar uma zona de segurança que proteja os habitantes do norte do país dos ataques do Hezbollah. Só esta quinta-feira (7 de maio) houve ataques em Harouf, que matou uma pessoa, além de outro em Ad-Doueir, que fez um segundo morto. Houve ainda bombardeamentos em Seddiqin, Blat, Dibbin, Baraashit e Bir al-Salasil, de acordo com a televisão árabe Al Jazeera. Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelitas já mataram pelo menos 2727 pessoas desde 2 de março - quando o grupo xiita retomou os seus ataques contra Israel, em represália pela morte do líder máximo iraniano, Ali Khamenei. Do lado israelita, já morreram 17 soldados e dois civis. Desde o cessar-fogo, representantes israelitas e libaneses já se reuniram duas vezes em Washington - a 14 de abril e 23 de abril, como parte das preparações para possíveis negociações de paz de alto nível. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, tem rejeitado contudo a possibilidade de encontrar-se com Netanyahu antes de um acordo de segurança entre os dois países e o fim dos ataques. O próximo encontro será a 14 e 15 de maio, segundo o Departamento de Estado. As partes têm discutido um quadro para um eventual acordo de paz que inclua a retirada das tropas de Israel do sul do Líbano, o desarmamento do Hezbollah por um um governo libanês fortalecido, bem como a normalização das relações diplomáticas entre Jerusalém e Beirute. O Hezbollah opõe-se veementemente aos contactos do governo libanês com Israel. Faixa de GazaMais a sul, outro cessar-fogo e outras negociações estão em risco. Um bombardeamento israelita matou o filho do principal negociador do Hamas no diálogo sobre o futuro da Faixa de Gaza, mediado pelos EUA, numa altura em que os líderes do grupo terrorista estão em conversações no Cairo com o objetivo de salvaguardar a sua trégua com Israel.Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, não resistiu aos ferimentos, depois de ter sido atingido na noite de quarta-feira, disseram as autoridadesde saúde de Gaza (controladas pelo Hamas). Foi o quarto filho do líder exilado do grupo a ser morto pelos israelitas.