Netanyahu foi recebido por Trump em Mar-a-Lago, em dezembro.
Netanyahu foi recebido por Trump em Mar-a-Lago, em dezembro.FOTO: DR/X/@IsraeliPM

Israel dá nega a Trump com eleições à porta e promete continuar a atacar o Hamas

Apesar da proposta de paz da Casa Branca, Israel promete continuar ao ataque e rejeita o acordo, numa altura em que o cenário de Netanyahu ser derrotado em outubro parece ser o mais provável.
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A proposta de paz apresentada pelos EUA recebeu a 'luz verde' do Hamas. Porém, Israel não gostou de uma parte das condições e promete continuar a atacar.

Tudo decorre da guerra no Golfo entre EUA, Israel e Irão, na qual também está envolvido o Hamas (grupo terrorista financiado por Teerão). Ora, do "Conselho de Paz" criado por Donald Trump saiu, no final de julho, um acordo de paz para ser estabelecido entre israelitas e o Hamas. Este foi validado pelo Hamas, mas negado por Israel.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, fez saber no domingo que "Israel rejeita o documento de 15 pontos" apresentado pela Casa Branca. Posto isto, enfraquecer o movimento islâmico continua a ser um dos focos. É que, de acordo com o próprio, "as Forças de Defesa de Israel não efetuarão qualquer retirada até ao desarmamento do Hamas", salientou, antes de especificar.

"Quando digo 'desarmamento do Hamas', refiro-me tanto às armas pesadas como às ligeiras: todas as armas”, diz Netanyahu, num vídeo publicado nas redes sociais. Sem esclarecer sobre aspetos concretos, o líder fez saber que “eles [EUA] têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes perante estas questões”, atirou, numa altura em que se aproximam eleições no país... e as contas não são famosas para Netanyahu.

Os ataques que marcaram o dia 7 de outubro de 2023 causaram cerca de 1.200 mortes e abalaram as noções de segurança do povo israelita. Agora, as probabilidades apontam para um "castigo" ao primeiro-ministro de Israel, nas urnas. É que as sucessivas sondagens apontam para uma derrota de Netanyahu.

Ainda assim, não há um caminho muito definido e é certo que o líder israelita tem mostrado ser um sobrevivente no que diz respeito a eleições. De resto, lidera Israel desde dezembro de 2022 e esta é a terceira vez no cargo. Tudo somado, conta com mais de 18 anos no poder.

“A existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação", sublinhou Netanyahu. "Mantemo-nos firmes nestes interesses”, frisou, acrescentando que as tropas israelitas continuarão atentos a “ameaças” existentes contra Israel e os israelitas, desde logo o Hamas.

Ora, o primeiro-ministro garante que, enquanto estiver no cargo, não haverá um Estado palestiniano. “Nem em Gaza nem na Judeia e Samaria [Cisjordânia]. Nem 'Fataquistão' nem 'Hamastão'", afirmou, numa referência ao partido do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, a Fatah, e ao Hamas.

Ora, o tema da segurança está no centro das preocupações, na perspetiva israelita. No caso, o grupo armado "aceitou o plano de 15 pontos, mas não renunciou ao objetivo de destruir Israel.” As palavras são do brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rozen, chefe da inteligência militar do Exército israelita, em declarações citadas pelo jornal Israel Hayom e reproduzidas por outros meios de comunicação social do país.

David Zini, chefe do Shin Bet – o serviço de segurança interna israelita –, abordou o tema de forma semelhante. De acordo com o próprio, a decisão do Hamas não mais é do que uma “emboscada estratégica”, destinada a ganhar tempo e a garantir que Israel não volte a operar em Gaza antes das eleições.

Hamas insiste em acordo

Em contraponto, o Hamas continua a procurar que o plano de Trump seja posto em prática. Tendo isto em perspetiva, pressionou os EUA a fazerem pressão sobre Israel, para que este aceite o acordo.

“Esperamos que os mediadores e o garante norte-americano pressionem Netanyahu e o seu Governo para que respeitem o roteiro e não impeçam o processo por razões de política interna ou eleitoral”, afirmou um responsável do movimento à agência noticiosa AFP.

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