Pela primeira vez desde junho, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) deram ordens para a evacuação de uma localidade no sul do Líbano, antes de realizar o que apelidaram de “ataques precisos” em resposta a “uma violação flagrante do cessar-fogo” por parte do Hezbollah que não especificaram. Os “eventos no terreno” levaram contudo ao fim abrupto das negociações entre Israel e o Líbano, em Roma, que começaram na terça-feira (4 de agosto), mas não ao cancelamento do diálogo, que vai continuar esta quinta-feira (6 de agosto).A ordem de evacuação das IDF foi dada para a localidade de Mansouri, com o Ministério da Saúde do Líbano a dizer que pelo menos uma pessoa morreu e 12 ficaram feridas num bombardeamento israelita, alegadamente com um drone, na localidade vizinha de Tebnine. Segundo o site Ynetnews, do jornal israelita Yedioth Ahronoth, as IDF defendiam uma resposta maior à alegada “violação flagrante” do cessar-fogo, mas a liderança política israelita terá optado por um ataque preciso, sem excluir novas ações durante a noite (estava prevista uma reunião do Conselho de Segurança israelita). Os bombardeamentos surgem numa altura em que negociadores israelitas e libaneses, mediados pelos EUA, discutem em Roma a implementação de um acordo que permita a retirada das IDF das áreas que ocuparam no sul do Líbano, com o destacamento dos militares libaneses (já estão em algumas zonas piloto) e o desarmamento do Hezbollah. Um frágil cessar-fogo entre Israel e este grupo xiita libanês, apoiado pelo Irão, foi acordado a 20 de junho, com o Líbano a denunciar alguns ataques esporádicos e demolições no sul do país.O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeita as negociações, dizendo que só vão trazer “vergonha, humilhação” ao Líbano, que será obrigado a fazer inúmeras concessões. O grupo recusa entregar as armas.Segundo as primeiras indicações, Israel tinha pedido para que as negociações em Roma terminassem mais cedo do que o previsto, alegando que estavam a ser feitas “fugas de informação enganosas” por parte da delegação libanesa. Contudo, responsáveis norte-americanos indicaram depois que o diálogo tinha sido suspenso devido aos “eventos no terreno”. Estreito de OrmuzO Irão anunciou que estava a “finalizar” um acordo com Omã referente às rotas de navegação no Estreito de Ormuz, avisando contudo que isso não significava a reabertura imediata desta via marítima. Tudo porque Israel e os EUA continuam a representar um perigo para os navios, indicaram, citando o bloqueio naval de Washington e “outras ações agressivas e ameaçadoras”. Teerão e Mascate estavam a trabalhar numa “declaração conjunta”, que era possível desde que “terceiros não interfiram no processo”. Segundo a agência de notícias AP, um acordo só estava dependente da luz verde do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que ficou ferido no ataque matou o pai e antecessor e ainda não surgiu em público.O presidente dos EUA, Donald Trump, continua confiante que haverá um acordo que permita reabrir o estreito ainda esta semana, apesar de no passado ter rejeitado qualquer compromisso que dê a Teerão autoridade sobre Ormuz. A mesma fonte disse à AP que este acordo pode abrir caminho para que os EUA e o Irão retomem as negociações sobre o programa nuclear de Teerão.EUA e Irão trocam ataques, mas Trump não crê no regresso à guerra.Ataques intensificam-se e Trump reverte política de taxar navios