A mesquita da Cúpula da Rocha, com a sua cúpula dourada, destaca-se na Esplanada das Mesquitas, a que Israel chama Monte do Templo.
A mesquita da Cúpula da Rocha, com a sua cúpula dourada, destaca-se na Esplanada das Mesquitas, a que Israel chama Monte do Templo.Foto: DR

Jordânia alerta para tomada de controlo "iminente" da Esplanada das Mesquitas por Israel

Reino convocou para quarta-feira uma reunião de emergência com ministros dos países árabes e muçulmanos para debater o assunto que, diz, ameaça desencadear um conflito religioso.
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A Jordânia vai receber esta quarta-feira, 04 de agosto, uma reunião de emergência de ministros dos Negócios Estrangeiros de países árabes e muçulmanos. Em debate vai estar o que Amã vê como a ameaça "iminente" de uma tomada de controlo por parte de Israel da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, com o potencial de "desencadear um conflito religioso".

O aviso jordano surge na sequência de uma escala nas incursões levadas a cabo por extremistas religiosos judeus no complexo em torno da mesquita de Al-Aqsa e da Cúpula da Rocha, violando um tratado de status quo supervisionado pelo reino hachemita da Jordânia, segundo o qual apenas os muçulmanos podem rezar no local.

A Jordânia considera-se guardiã da Esplanada das Mesquita (a que os israelitas chamam Monte do Templo) e dos locais muçulmanos e cristãos em Jerusalém — um estatuto que Israel não reconhece, embora reconheça o "papel especial" do reino naquele local no tratado de paz entre os dois países.

Mas este reconhecimento oficial nem sempre se reflete na prática. E no passado dia 23 de julho, mais de 2000 israelitas da direita religiosa — na sua maioria colonos liderados pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir — invadiram o Monte do Templo. Rezaram e realizaram rituais por todo o complexo, num ato que as autoridades jordanas classificaram como a pior violação da história moderna.

Os receios de Amã foram reforçados pela recente contratação de judeus religiosos para uma unidade especial da polícia destacada para a Esplanada das Mesquitas.

A reunião desta quarta-feira vai centrar-se em "cristalizar uma posição comum para fazer face às medidas israelitas ilegítimas e de escalada que visam a identidade de Jerusalém e os seus santuários islâmicos e cristãos", afirmaram as autoridades jordanas, citadas pelo Times of Israel.

O encontro contará com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Tunísia, Argélia, Arábia Saudita, Somália, Iraque, Autoridade Palestiniana, Qatar, Egito, Marrocos, Paquistão, Turquia, Malásia e Indonésia.

"Trata-se de uma ameaça constante, uma ameaça perigosa que estamos a tentar combater com todos os meios ao nosso alcance", disse ao The Guardian o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Ayman Safadi. "Alertamos que qualquer alteração do status quo… poderá desencadear um conflito religioso cujas repercussões se estenderão para além da Palestina e da Jordânia, atingindo todo o mundo muçulmano."

A mesquita da Cúpula da Rocha, com a sua cúpula dourada, destaca-se na Esplanada das Mesquitas, a que Israel chama Monte do Templo.
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