As Forças de Defesa de Israel continuam as suas operações em várias zonas da Faixa de Gaza.
As Forças de Defesa de Israel continuam as suas operações em várias zonas da Faixa de Gaza.Foto: Mohammed Saber/EPA

Israel recusa trégua de 14 dias em Gaza apesar da pressão dos EUA

Gabinete de Segurança de Israel exigiu a retoma dos ataques aéreos em Gaza, interrompidos no início desta semana.
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A televisão pública israelita Kan comunicou na noite desta sexta-feira, 7 de agosto, que os ministros do Governo de Benjamin Netanyahu se opõem à implementação de um cessar-fogo de duas semanas na Faixa de Gaza, apesar da pressão dos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos estão a pressionar Israel para que inicie um cessar-fogo de duas semanas em Gaza”, informou a Kan no seu noticiário de sexta-feira à noite, acrescentando que os ministros se opuseram, alegando que “há margem para continuar a utilizar a força" durante a reunião do Gabinete de Segurança de quinta-feira.

A ideia de uma trégua tem a ver com a necessidade de travar os ataques com vista à aplicação do plano de desarmamento do Hamas.

Além disso, o correspondente do canal de televisão israelita i24News, que também teve acesso às deliberações do gabinete, recordou sexta-feira que, após a reunião, ficou por decidir a autorização formal de Israel para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, um contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho da Paz promovido por Trump.

Meios de comunicação social israelitas informaram, após a reunião do Gabinete de Segurança do país, que o órgão presidido por Netanyahu exigiu durante a sessão de quinta-feira a retoma dos ataques aéreos em Gaza, interrompidos desde segunda-feira.

“O Hamas aceitou o plano de 15 pontos, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir Israel”, advertiu durante a reunião o brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rozen, chefe da inteligência militar do Exército israelita, em declarações citadas pelo jornal Israel Hayom e reproduzidas por outros meios de comunicação social do país.

“É evidente que o Hamas está a tentar passar-nos a responsabilidade”, acrescentou Mizrahi-Rozen.

Por seu lado, David Zini, chefe do Shin Bet – o serviço de segurança interna israelita –, advertiu o gabinete de que o acordo do Hamas sobre o roteiro para Gaza é uma “emboscada estratégica”, destinada a ganhar tempo e a garantir que Israel não volte a operar em Gaza antes das eleições, previstas para o outono.

Vários ministros, entre os quais Bezalel Smotrich, Orit Strock, Avi Dichter e Zeev Elkin, todos de extrema-direita, pressionaram Netanyahu para que declare formalmente a rejeição de Israel à aplicação do plano anunciado no final de julho pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aprovado pelo Hamas, segundo o qual a milícia palestiniana se comprometia a desarmar-se se as tropas israelitas abandonassem a Faixa.

Na reunião, o ministro ultranacionalista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, confrontou Netanyahu e apelou à manutenção diária de ataques seletivos em Gaza, ao que o primeiro-ministro respondeu que “nos próximos 90 dias, nada será tático”.

Depois de meses de ataques mortíferos quase diários, o Exército israelita não bombardeia a Faixa de Gaza desde a noite de segunda-feira, o mesmo dia em que o alto representante do Conselho da Paz para Gaza, Nikolai Mladenov, se reuniu com Netanyahu e, alegadamente, lhe pediu que travasse os ataques.

Os ataques terrestres, contudo, prosseguiram e fizeram três feridos hoje em Khan Yunis, no sul.

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 11 de outubro de 2025, o balanço ascende a 1255 mortos, 4125 feridos e 806 corpos recuperados, enquanto o total desde o início da guerra, em 07 de outubro de 2023, é de 73.382 mortos e 174.236 feridos.

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