Kanye West atua esta sexta-feira no Algarve mas embaixador de Israel quer que concerto seja cancelado
Kanye West, atualmente conhecido como Ye, regressa a Portugal 15 anos depois da sua última atuação para um concerto esta sexta-feira, 7 de agosto, no Estádio Algarve, mas o embaixador de Israel em Portugal quer que as autoridades portuguesas cancelem o espetáculo.
Oren Rozenblat diz tratar-se de "alguém que glorificou Hitler, promoveu o antissemitismo e afirmou que 'a escravatura foi uma escolha', uma frase que ofendeu profundamente milhões de descendentes das vítimas da escravatura".
"Isto não é provocação. Isto é discurso de ódio. Foi por isso que muitos países, tais como a Austrália, revogaram o seu visto; no Reino Unido, foi impedido de entrar no país; em França, Polónia, Suíça e Eslováquia os concertos foram cancelados. Muitos compreenderam que existe uma linha vermelha: uma sociedade democrática não deve oferecer um palco a quem glorifica Hitler. Promove o nazismo e difunde o antissemitismo. E, no entanto, amanhã [hoje] atuará em Portugal, no Estádio do Algarve, um estádio que pertence aos municípios de Faro e Loulé e, por isso, aos seus cidadãos", prosseguiu o diplomata num vídeo publicado esta quinta-feira, 6 de agosto, nas redes sociais da Embaixada de Israel em Portugal.
"Falei diretamente com o presidente da Câmara Municipal de Faro. Pedi-lhe que cancelasse, que apelasse aos cidadãos de Faro para não estarem presentes. Ninguém é obrigado a concordar com Israel. Essa não é a questão. Gostaria também de dirigir uma palavra a quem pensa assistir ao concerto. Pagariam um bilhete para um artista que promovesse o ódio contra pessoas negras? Contra muçulmanos, contra cristãos, contra pessoas LGBT? Se a resposta é não, porque razão deveria ser diferente quando o alvo são judeus? Espero sinceramente que Portugal escolha estar do lado certo da história e cancele este concerto", apelou Rozenblat.
"Se este concerto vai acontecer, isso é uma vergonha para Portugal, para os portugueses, para os cidadãos do Algarve e para todos os que vão assistir a este concerto", concluiu.
Kanye West tem feito, nos últimos anos, apologia do ditador nazi Adolf Hitler, tendo lançado a canção “Heil Hitler”, e começado a vender t-shirts com suásticas.
Plataformas digitais, como o Spotify e a Soundcloud, retiraram a canção das suas aplicações.
O videoclip da canção, em que um grupo de homens afro-americanos entoa em uníssono a saudação nazi “Heil Hitler!”, foi lançado na rede social X em maio do ano passado.
Não foi a primeira polémica protagonizada por Ye, depois de, em fevereiro do ano passado, ter afirmado numa série de publicações, também na rede social X, que é nazi e que controlava a sua então companheira, a modelo Bianca Censori, que obrigou a usar um vestido de rede transparente que expunha totalmente o seu corpo na cerimónia de entrega dos Óscares, em Los Angeles.
Na altura, o cantor emitiu ataques ao proprietário da rede social X, Elon Musk, e à comunidade judaica, afirmando mesmo que "adorava Hitler" e que era nazi.
O rapper americano, de 49 anos, perdeu nos últimos anos muitos fãs e vários contratos comerciais após comentários antissemitas e racistas.
Nos últimos tempos, Kanye West tem reagido a estas polémicas, alegando que mudou de posição e invocando transtorno bipolar que o levaram a fazer declarações políticas antissemitas e pró-nazis.


