O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, prometeu na terça-feira (19 de maio) "muitas mais surpresas" caso os Estados Unidos decidam voltar a atacar o país.Numa mensagem publicada nas redes sociais, o governante iraniano referiu que "meses após o início da guerra contra o Irão, o Congresso dos EUA "reconheceu a "perda de dezenas de aeronaves no valor de milhares de milhões". "As nossas poderosas Forças Armadas foram confirmadas como as primeiras a abater um F-35, alvo de muitos elogios", escreveu ."Com as lições aprendidas e os conhecimentos adquiridos, o regresso à guerra trará muitas outras surpresas", avisou o chefe da diplomacia iraniana. .A posição de Araghchi é conhecida após Donald Trump anunciar, no início da semana, que adiou um ataque ao Irão planeado para terça-feira, "a pedido dos países do Golfo". Disse que estavam em curso "negociações sérias", mas avisou que os EUA estavam prontos para um "ataque em grande escala", caso não fosse alcançado um acordo sobre a questão nuclear. Na troca de ameaças, também a Guarda Revolucionária do Irão avisou "estender a guerra para além da região" caso os EUA voltem a atacar o país."Ainda não mobilizámos todas as capacidades da Revolução Islâmica", refere um comunicado da Guarda Revolucionária do Irão, citado pela Sky News. "Se a agressão contra o Irão se repetir, a prometida guerra regional desta vez estender-se-á para além da região, e os nossos golpes esmagadores em lugares que menos esperam levar-vos-ão à ruína total", ameaçou. .Irão mantém-se comprometido com a obrigação de não ter armas nucleares, diz diplomata russo.Um diplomata russo afirmou, entretanto, esta quarta-feira, 20, que a atual liderança iraniana, assim como as anteriores, se mantém comprometida com a obrigação de não ter armas nucleares. "Ninguém defende que a República Islâmica do Irão deva possuir armas nucleares. Isto sempre foi aceite tanto pelos antigos como pelos atuais líderes da República Islâmica", afirmou o vice-ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, Sergey Ryabkov, em entrevista à agência estatal russa TASS. Referiu que o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares "estabelece todas as obrigações relevantes, às quais a parte iraniana nunca renunciou".Sergey Ryabkov adiantou que o tratado "também garante ao Irão o direito à energia nuclear pacífica sob a supervisão" da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), "sem quaisquer restrições, incluindo o enriquecimento de urânio". "Esse direito é inalienável e não pode estar sujeito a qualquer interpretação externa e oportunista. Somente o povo iraniano determina como exercê-lo adequadamente, com base em seus interesses nacionais", defendeu. .Guerra vai terminar "muito rapidamente", promete Trump. Na terça-feira, Trump disse que a guerra iria terminar "muito rapidamente" e revelou que esteve a uma hora de ordenar o reinício dos ataques contra o Irão. "Eles querem muito fazer um acordo", disse, reiterando que o fim do conflito está próximo. "Os preços do petróleo vão cair a pique", acrescentou. O presidente dos EUA deu, no entanto, "dois ou três dias" ao regime iraniano para chegar a acordo sobre a questão nuclear, caso contrário as forças norte-americanas vão voltar a atacar o país. "Estou a dizer dois ou três dias. Talvez sexta-feira, sábado, domingo. Algo talvez no início da próxima semana. Um prazo limitado", afirmou. "Não podemos permitir que eles obtenham uma arma nuclear. Se tivessem uma arma nuclear, destruiriam rapidamente Israel e atacariam a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e todo o Médio Oriente. Seria um holocausto nuclear", considerou Trump. O vice-presidente dos EUA realçou o progresso nas negociações com Teerão. "Estamos numa posição bastante favorável", disse JD Vance durante uma conferência de imprensa. Reconheceu, porém, dificuldades em negociar com uma liderança iraniana fragmentada. "Por vezes não é totalmente claro qual é a posição negocial da equipa", disse. .À “hesitação” de Trump, Irão ameaça abrir novas frentes de guerra