“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.
“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Irão concorda em não produzir ou adquirir armas nucleares, segundo minuta de acordo

Irão ainda não terá tomado decisão final sobre acordo que implicará não produzir ou adquirir armas nucleares, mas a Reuters divulgou algumas das condições que constarão do memorando de entendimento.
Publicado a
Atualizado a

O Irão concorda em não produzir ou adquirir armas nucleares, segundo a minuta de acordo divulgada pela agência Reuters este domingo, 14 de junho, dia em que os meios de comunicação iranianos afirmam que Teerão "ainda não" tomou uma decisão final sobre o acordo de paz.

Citando uma fonte iraniana, a Reuters diz que no projeto de memorando o Irão concordou em não produzir ou adquirir armas nucleares e em abrir imeditamente o Estreito de Ormuz a todas as embarcações comerciais.

Teerão deverá também diluir o seu stock de urânio altamente enriquecido, através de um mecanismo a discutir nos próximos 60 dias. Não deve haver enriquecimento de urânio nem expansão das instalações.

Em contrapartida, os EUA levantarão o bloquio naval, suspenderão as sanções petrolíferas contra o Irão por um período específico, permitindo a Teerão vender petróleo e receber receitas, e não aplicarão novas sanções até que seja alcançado um acordo final. Segundo esta fonte iraniana disse à Reuters, a minuta do acordo inclui a libertação, por parte dos EUA, de 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos congelados.

Horas antes, "uma fonte bem informada próxima da equipa de negociação iraniana" tinha dito à Fars, uma agência próxima dos círculos conservadores iranianos, que a "República Islâmica do Irão ainda não tomou nem anunciou a sua decisão final relativamente ao memorando de entendimento proposto durante as negociações".

O possível acordo enfrenta, dizia, a oposição de figuras da linha dura iranianas, que defendem que não serve os interesses do Irão e privaria Teerão de influência sobre o estratégico Estreito de Ormuz.

Estas informações surgiram depois de no sábado o presidente norte-americano ter garantido que um acordo seria assinado este domingo e que, logo depois, o Estreito de Ormuz, seria reaberto. Donald Trump disse ainda que o acordo “é um muro que impedirá armas nucleares”. “Na verdade, não querem mais armas nucleares, nem as terão, seja por compra, desenvolvimento ou qualquer outra forma de aquisição”, afirmou na rede social Truth Social.

Antes, o Paquistão também dera sinais de otimismo relativamente à assinatura de um acordo este domingo. “Estamos mais perto do que nunca de um acordo de paz. Embora a finalização provavelmente ocorra nas próximas 24 horas”, escreveu o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, na rede social X.

No entanto, esta informação que foi depois desmentida por Teerão. "Temos de esperar para saber a data exata da assinatura. Não será amanhã", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, à agência ISNA, embora sugerindo que isso aconteceria "nos próximos dias".

A agência ISNA avançou este domingo que uma delegação do Qatar, país que atua como mediador entre o Irão e os Estados Unidos juntamente com o Paquistão, chegou a Teerão com o objetivo de "examinar os últimos desenvolvimentos do processo diplomático" e encontrar uma solução definitiva para o conflito no Médio Oriente.

“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.
Trump e Irão contradizem-se sobre assinatura de acordo
“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.
"A paz nunca esteve tão próxima." Islamabad e Teerão confirmam progressos na proposta de acordo com EUA
Diário de Notícias
www.dn.pt