"A paz nunca esteve tão próxima." Islamabad e Teerão confirmam progressos na proposta de acordo com EUA
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

"A paz nunca esteve tão próxima." Islamabad e Teerão confirmam progressos na proposta de acordo com EUA

Funcionário da Casa Branca diz que o memorando de entendimento está concluído entre 80% e 85%. Regime iraniano será premiado consoante nível de cumprimento do acordo.
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O primeiro-ministro do Paquistão anunciou na rede social X que foi alcançado um “texto final, acordado, do acordo de paz” entre os Estados Unidos e o Irão e que o Paquistão está agora a trabalhar com ambos os lados para finalizar os próximos passos. Do lado de Teerão, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse, também no X, que o memorando de entendimento entre EUA e Irão "nunca esteve tão próximo".

“A paz nunca esteve tão próxima como agora”, disse o paquistanês Shebaz Sharif. Na publicação no X, o governante disse que o Paquistão estava envolvido em “esforços de mediação intensos e contínuos” e acusou atores não identificados de espalharem “desinformação incessante” com o objetivo de minar o processo.

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Por sua vez, o chefe da diplomacia iraniana disse que "o memorando de entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo". Abbas Araghchi aconselhou ainda os órgãos de comunicação para "absterem-se de entrar em especulações sobre o seu conteúdo". Esta mensagem vem na sequência de meios iranianos terem publicado alegados pormenores do acordo. Isto fez com que quer presidente, quer o vice-presidente dos EUA se pronunciassem de forma crítica sobre as referidas notícias.

Trump queixou-se de que o Irão tinha divulgado os termos através de "notícias falsas" que "nada tinham a ver com os termos que foram acordados". Mas, mais tarde, republicou a mensagem de Araghchi na sua rede, Truth Social.

Vance disse estar a ver "muita informação falsa sobre um possível acordo para reabrir o estreito [de Ormuz] e acabar com o programa de armas nucleares do Irão". Também no antigo Twitter, escreveu que o Irão não vai "receber dinheiro e não estão a ser libertados fundos só por assinar um acordo ou ir a uma reunião"; os "benefícios económicos" só serão alcançados quando o Irão cumprir as suas obrigações.

Os meios de comunicação iranianos avançaram que as negociações incluíram o levantamento de sanções sobre o Irão, incluindo as petrolíferas, e libertaria fundos congelados no valor de 24 mil milhões de dólares; um plano dos EUA para "reconstruir a economia do Irão" no valor de pelo menos 300 mil milhões de dólares; a retirada de forças militares em torno do país e o fim do bloqueio naval dos EUA. Além disso, negociações sobre o programa nuclear de Teerão e "assuntos económicos" ocorreriam mais tarde, mas o programa de mísseis do Irão não estaria abrangido.

80% do acordo concluído

Um funcionário da administração dos EUA disse aos jornalistas que um acordo com o Irão estava 80% a 85% concluído, e o lado norte-americano acredita que “a maioria das pessoas que têm autoridade” no governo iraniano quer assinar o acordo.

A mesma fonte, que falou sob anonimato como é prática na Casa Branca, disse que o acordo levaria ao desmantelamento do programa nuclear iraniano e que o urânio altamente enriquecido do Irão seria também destruído no local e depois retirado do país. Os pormenores técnicos sobre como remover o urânio do país, de acordo com o memorando de entendimento, seriam resolvidos durante um período de 60 dias após a assinatura do acordo pelas duas partes.

O funcionário da administração Trump confirmou que, nos termos do acordo, o estreito de Ormuz seria reaberto e os EUA levantariam o bloqueio aos portos iranianos.

Prémio por "desempenho"

A mesma fonte garantiu que os iranianos "não recebem nada ao assinar o memorando de entendimento nem durante a negociação em si", mas que acontecerá um "alívio significativo" das sanções "com base no desempenho do Irão". Ou seja, "quanto mais os iranianos cumprem, mais podem receber", da entrega do material nuclear ao desmantelamento das instalações e do programa nuclear.

Recorde-se que Trump, ao abandonar o acordo nuclear internacional com o Irão, alegou que o presidente Barack Obama tinha pagado "150 mil milhões de dólares" ao Irão e dado 1,8 mil milhões em numerário. Estes valores referem-se ao descongelamento de ativos iranianos e, no segundo caso, à restituição do valor de uma encomenda de armamento (mais juros) feita antes da revolução islâmica de 1979, e que devido à mudança de regime não foi entregue.

O funcionário da Casa Branca comentou ainda que, quando o governo de Israel tomar conhecimento dos termos completos do acordo, “ficará confortável", e que o acordo garante a paz a longo prazo na região.

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