Irão avisa que Ormuz continuará fechado e diz que "não há solução militar" para o conflito
O Irão não vai reabrir o Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos não cumprirem as condições exigidas por Teerão. O aviso foi deixado este domingo pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, afirmou que não existe uma solução militar para a guerra e que só a diplomacia poderá pôr-lhe fim.
“Até que sejam cumpridas as nossas condições, baseadas no memorando de entendimento de Islamabad, o Estreito de Ormuz não será aberto”, disse Qalibaf numa intervenção por videoconferência perante o Parlamento, segundo a agência Tasnim.
A posição surge enquanto Teerão analisa uma nova proposta apresentada pelos Estados Unidos através do Qatar, que tem assumido o papel de intermediário. “Tomamos como base o comportamento e as ações reais do inimigo, não as suas declarações contraditórias”, afirmou Qalibajf, criticando a alternância entre propostas de negociação e ameaças de confronto por parte dos Estados Unidos e avisando que a pressão económica ou militar de Washington não será suficiente para alterar a posição iraniana.
Também este domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, advertiu os EUA que “não existe uma solução militar” para o conflito e defendeu que a diplomacia é a única via para acabar com a guerra, que se prolonga há sete meses.
Teerão estuda última proposta dos EUA
Já o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ismail Bagaei, confirmou entretanto que a nova proposta norte-americana continua a ser estudada. “Vamos fazer as revisões necessárias e transmitiremos também as nossas observações adicionais à outra parte”, disse, citado pela agência EFE.
Bagaei rejeitou, no entanto, as notícias de que Teerão teria proposto a Washington o regresso das inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) às instalações nucleares iranianas em troca de uma redução das sanções económicas. “Não entramos em negociações sobre a questão nuclear em troca de sanções. A nossa tarefa era comunicar as nossas condições e transmiti-las aos mediadores dentro da estrutura do plano que ficou conhecido como o plano dos sete dias”, afirmou o diplomata iraniano, em alusão ao plano apresentado no final de setembro e rejeitado por Trump.
O Irão exige, entre outras medidas, o fim do bloqueio naval e das sanções, o fim das hostilidades no Médio Oriente e a libertação de fundos iranianos congelados. A reabertura de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, continua dependente dessas condições, aseegura Teerão, que diz continuar disponível para negociar.
* com agências

