O Irão garantiu estar “a aguardar a chegada das tropas norte-americanas a solo iraniano para as incendiar e punir os seus parceiros regionais para sempre”. Uma garantia que foi dada este domingo, 29 de março, pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, numa mensagem a assinalar os 30 dias do início da guerra entre os EUA e Israel contra Teerão. “Os nossos disparos continuam. Os nossos mísseis estão posicionados. A nossa determinação e fé aumentaram”, acrescentou.Na mesma mensagem, Ghalibaf referiu que “o inimigo envia abertamente uma mensagem de negociação e planeia secretamente um ataque terrestre”, reforçando que “os Estados Unidos expressam os seus desejos com uma lista de 15 pontos e procuram o que não conseguiram na guerra”. “Estamos numa grande guerra mundial e devemos preparar-nos para o caminho tortuoso e difícil que temos pela frente até chegarmos à cimeira”, concluiu o líder do parlamento iraniano.O Washington Post noticiou este fim de semana que o Departamento de Defesa dos EUA está a preparar-se para semanas de operações terrestres no Irão, numa altura em que milhares de militares norte-americanos estão a chegar ao Médio Oriente, não sendo claro se Donald Trump aprovará estes planos. Antes do envio de tropas adicionais para a região, havia 50.000 soldados americanos no Médio Oriente.Enquanto o Irão alertava para a possibilidade de responder a um ataque terrestre dos EUA, o Paquistão recebeu este domingo conversações com a Turquia, o Egito e a Arábia Saudita, em mais uma tentativa de intermediar o fim da guerra com o Irão e com as discussões a centrarem-se em propostas para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação. As negociações, que continuarão esta segunda-feira, não parecem incluir representantes norte-americanos ou iranianos.Numa mensagem em vídeo divulgada após o primeiro dia de negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, adiantou que os quatro países discutiram “possíveis formas de pôr fim de forma rápida e permanente à guerra”, revelando ainda que todas as partes manifestaram confiança na atuação Islamabad como mediador. “O Paquistão está muito satisfeito com o facto de tanto o Irão como os EUA terem manifestado a sua confiança na facilitação das negociações por parte do Paquistão”, referiu ainda Dar, acrescentando que estas terão lugar nos “próximos dias”.“Estes quatro países estão a emergir como uma nova aliança dentro do mundo muçulmano, reunindo três dos maiores exércitos da região, armas nucleares e o poderio financeiro da Arábia Saudita. No entanto, as autoridades sauditas, que têm sido repetidamente atacadas pelo Irão, afirmaram em privado que desejam a continuidade dos bombardeamentos”, notou este domingo o jornalista Saeed Shah numa análise publicada no Guardian, referindo ainda que “Islamabad espera que quaisquer negociações sejam indiretas, com as autoridades paquistanesas a transitarem entre as delegações americana e iraniana em salas diferentes. Teerão recusa-se a reunir pessoalmente com autoridades americanas”.Paralelamente, a Liga Árabe apelou este domingo para uma “ação árabe conjunta” dos seus 22 Estados-membros face aos “atrozes” ataques do Irão contra infraestruturas dos países do Golfo e à guerra conduzida pelos EUA e Israel contra a nação persa. “Estamos a viver um momento excecional na história da região e na história da ação árabe conjunta, um momento que exige uma voz unificada e coletiva, e mensagens claras que não admitam interpretações erradas nem ambiguidades”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdelatif bin Rashid, vincando a divisão política historicamente existente entre os diferentes Estados-membros.O chefe da diplomacia do Bahrein, que preside à 165.ª sessão ordinária do Conselho da Liga Árabe a nível ministerial, fez estas declarações no início da cimeira, reiterando a necessidade de unidade face aos “ataques iranianos” contra a “soberania” dos países do Golfo Pérsico, criticando também o facto de que os pretextos do Irão para realizar estes ataques foram “deliberadamente fabricados para turvar a situação” e simular que “parecem uma forma de confrontação com Israel”.Bin Rashid exigiu “o cessar imediato dos ataques iranianos”, bem como o fim do bloqueio do Estreito de Ormuz, que está a colocar em dificuldades as economias árabes do Golfo, fortemente dependentes dos rendimentos da exportação de petróleo e gás natural. “Respeitamos o direito dos Estados atacados de se defenderem, individual ou coletivamente”, afirmou, apesar de, após um mês de ataques iranianos, nenhum país do Golfo ter feito qualquer intervenção militar contra o Irão, numa tentativa de não agravar ainda mais as tensões no Médio Oriente.Noutra frente desta guerra, o primeiro-ministro israelita anunciou este domingo que Telavive vai ampliar a sua invasão do sul do Líbano, zona a que chamou de “faixa de segurança”, numa altura em que continuam os ataques contra o Hezbollah, apoiado pelo Irão. “Acabei de dar instruções para expandir ainda mais a zona de segurança existente. Estamos determinados a mudar fundamentalmente a situação no norte”, disse Benjamin Netanyahu, acrescentando que “o Hezbollah ainda possui capacidade residual para lançar rockets contra nós”.O Ministério da Saúde do Líbano anunciou este domingo que o número de mortos no país ultrapassa as 1200 pessoas e mais de 3500 pessoas feridas desde o início desta mais recente escalada militar entre Israel e o Hezbollah, iniciada este mês. .Reuniões entre EUA e Irão previstas para próximos dias. Rubio espera fim da guerra em duas semanas.Irão rejeita os 15 pontos de Trump e impõe cinco condições para a paz