As forças israelitas mantêm-se no Líbano
As forças israelitas mantêm-se no LíbanoATEF SAFADI/EPA

Hezbollah exige retirada incondicional de Israel do Líbano

líder da milícia xiita libanesa destacou o que considerou ser firmeza do Irão em garantir um acordo "que é uma declaração oficial da derrota dos Estados Unidos e de Israel".
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O líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse esta sexta-feira, 26 de junho, que o acordo entre o Irão e os Estados Unidos foi uma "declaração de derrota" para Washington e Israel, e exigiu a retirada "incondicional" das forças israelitas do Líbano.

"Eles queriam uma grande guerra para nos eliminar. Conseguimos travar esta agressão e alcançar uma grande vitória", disse Naim Qassem num discurso televisivo que assinalou a Ashura, um dia de luto pela morte do imã Hussein Ibn Ali, figura central do Islão xiita.

Naim Qassem destacou o que considerou ser firmeza do Irão em garantir um acordo "que é uma declaração oficial da derrota da América (Estados Unidos) e de Israel".

Neste sentido, disse, o líder da milícia xiita libanesa Hezbollah (Partido de Deus) disse que Israel não tem outra escolha senão retirar-se completamente do Líbano.

"Israel deve sair incondicionalmente", acrescentou no dia em que a quinta ronda de negociações entre Israel e o Líbano, mediada pelos Estados Unidos, vai continuar em Washington, segundo anunciou o Departamento de Estado norte-americano.

"As discussões entre Israel e o Líbano continuam em curso, e continuamos a facilitar o processo. As duas partes retomarão as negociações (...) às 09:00 [14:00 em Lisboa], para dar continuidade aos trabalhos em busca de um acordo", disse o Departamento de Estado à agência de notícias France-Presse, depois de o chefe da diplomacia dos Estados Unidos ter dito que Líbano e Israel estão "muito perto" de uma declaração de intenções para uma trégua duradoura.

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Paralelamente, esta sexta-feira as Forças Armadas iranianas alertaram para a presença de aviões militares israelitas nos países vizinhos — descrevendo-a como uma ameaça à República Islâmica — e instaram os Estados Unidos a conter Israel.

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"A presença de aeronaves militares israelitas no espaço aéreo de certos países vizinhos, em rota para o Irão, constitui um ato perigoso e uma ameaça direta à República Islâmica do Irão", afirmou em comunicado o Comando de Operações Unificadas Khatam al-Anbiya das Forças Armadas iranianas.

"Se os Estados Unidos não contiverem Israel, o Irão não vai tolerar qualquer ameaça e reserva-se o direito de responder", acrescentou o Comando de Operações Unificadas de Teerão.

Teerão vinca que navios devem seguir rotas pré-estabelecidas em Ormuz

Por outro lado, as autoridades da República Islâmica do Irão declararam que os navios que transitam pelo estreito de Ormuz devem respeitar as rotas preestabelecidas, após um cargueiro ter sido atacado na véspera por um projétil não identificado.

"A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) — órgão criado pelo Irão para gerir a navegação pelo estreito de Ormuz - alerta que a navegação de embarcações fora das rotas designadas não está coberta pela garantia de trânsito seguro, por seguros ou pelas responsabilidades decorrentes de tais situações", lê-se na rede social X.

"Quaisquer consequências resultantes de uma rota não autorizada serão de responsabilidade exclusiva do armador, do fretador e do capitão da embarcação", ainda segundo a mesma fonte.

Este alerta segue-se a um ataque ocorrido na quinta-feira contra um navio de carga com bandeira de Singapura ao largo da costa de Omã, num incidente que não fez vítimas e que o jornal americano The Wall Street Journal atribuiu à República Islâmica.

O jornal norte-americano noticiou que a Guarda Revolucionária Iraniana disparou contra a ponte de comando da embarcação, danificando-a, horas depois de alertar os navios para que não navegassem pelo estreito utilizando rotas não autorizadas pela nação persa.

Após o ataque, a Organização Marítima Internacional (IMO) anunciou uma pausa no plano de evacuação de navios do estreito de Ormuz — uma iniciativa lançada dois dias antes para retirar 11.000 marinheiros que permaneciam retidos no golfo Pérsico.

A República Islâmica anunciou a reabertura do tráfego marítimo pelo estratégico estreito de Ormuz como parte de um memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos rumo à paz.

Porém, Teerão mantém a exigência de que os navios que continuem a notificar a Guarda Revolucionária para obter autorização.

Por outro lado, Omã anunciou na quarta-feira a criação de um "corredor marítimo temporário" para a passagem pelo estreito de Ormuz sem cobrança de taxas, em coordenação com a Organização Marítima Internacional (IMO) e sem o envolvimento de Teerão.

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