Hantavírus. Não há razões para suspeitar que se trata de nova estirpe
Miguel Barreto/EPA

Hantavírus. Não há razões para suspeitar que se trata de nova estirpe

Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças salientou que o genoma deste vírus foi sequenciado e, com base nessa informação, “não há razão para suspeitar que é um novo vírus”.
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O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) afirmou esta quarta-feira, 13 de maio, que a informação disponível sobre o hantavírus que causou o recente surto não indica que seja uma nova estirpe com maior risco de transmissão.

"Fazemos as nossas avaliações com base nos dados disponíveis e, no momento, não há qualquer dado que sugira que este vírus está a comportar-se de forma diferente, em termos de transmissibilidade ou severidade, em relação a outros vírus conhecidos que circulam em várias regiões do mundo”, adiantou o especialista em microbiologia e epidemiologia molecular do centro europeu, Andreas Hoefer.

Em conferência de imprensa, o especialista do ECDC salientou que o genoma deste vírus foi sequenciado e, com base nessa informação, “não há razão para suspeitar que é um novo vírus”.

A diretora do ECDC adiantou que os hantavírus estão identificados na literatura científica há mais de cinco décadas, reiterando que precisam de um longo período de exposição e de um contacto muito intenso para se transmitirem.

“Comparado, por exemplo, com o sarampo, este é um vírus com um risco muito menor de transmissão”, assegurou Pamela Rendi-Wagner, adiantando que o centro europeu vai continuar a disponibilizar linhas de orientação atualizadas aos Estados-membros sobre como agirem em relação aos passageiros do navio Hondius que regressaram aos seus países.

Referiu ainda que a quarentena é aconselhada para os ex-passageiros do navio de cruzeiro que estejam assintomáticos por seis semanas, ou seja, até 21 ou 22 de junho, dependente de quando desembarcaram.

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Pamela Rendi-Wagner anunciou também que os especialistas do ECDC vão agora focar a sua investigação em duas questões principais – onde e quando os passageiros foram infetados e qual a transmissibilidade e severidade do hantavírus dos Andes responsável pelo surto.

“Temos de saber mais sobre o vírus em si mesmo, a sua transmissibilidade e severidade, e isso vai ser feito nos próximos dias e semanas através de mais análises genómicas”, adiantou a responsável do centro europeu.

Desde 02 de maio, “muita coisa aconteceu num período de tempo muito curto”, realçou Pamela Rendi-Wagner, que reconheceu que o surto a bordo do Hondius foi uma “situação muito complexa” devido às incertezas que provocou e ao envolvimento de pessoas de 23 nacionalidades.

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Sobre a crise do surto de Hantavírus

“É importante referir que, devido ao longo período de incubação, que é possível que mais casos entre os passageiros, que estão agora em quarentena, possam ocorrer. Isso não pode ser excluído”, alertou a diretora do ECDC.

Na terça-feira, o diretor-geral Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou nove casos de infeção pelo hantavírus, mais dois prováveis e três mortes neste surto, todos entre passageiros e tripulantes do Hondius, que partiu da ilha espanhola de Tenerife na segunda-feira com destino a Roterdão, na Holanda, onde irá atracar para ser desinfetado.

A embarcação conta ainda com 25 tripulantes e dois profissionais de saúde a bordo, além do corpo de um passageiro alemão que faleceu durante o cruzeiro.

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