António Guterres, secretário-geral da ONU
António Guterres, secretário-geral da ONUUN PHOTO / MANUEL ELÍAS

Guterres diz que dívida dos Estados Unidos à ONU é “inegociável”

O secretário-geral da Nações Unidas rejeita a possibilidade de o pagamento ficar dependente de reformas exigidas por Washington.
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O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, diz que os montantes em dívida pelos Estados Unidos à organização são “inegociáveis”, reagindo assim a notícias de que Washington poderá estar a condicionar o pagamento a reformas internas na ONU.

Segundo a Reuters, Guterres sublinhou que as contribuições em causa são obrigações dos Estados-membros. “O dinheiro de que estamos a falar refere-se a contribuições obrigatórias. As contribuições obrigatórias são uma obrigação dos Estados-membros. São inegociáveis”, declarou aos jornalistas.

As declarações surgem após a divulgação, pela publicação especializada Devex, de que os Estados Unidos terão apresentado um conjunto de nove reformas prioritárias como condição para libertar mais financiamento para a ONU. Entre essas exigências estão cortes adicionais de custos e medidas para contrariar a influência da China na organização.

O antigo primeiro-ministro português reconheceu que a ONU tem vindo a desenvolver esforços de reforma, em particular sob pressão de vários Estados-membros, incluindo os Estados Unidos, mas fez questão de separar os dois temas. “Faremos o nosso melhor para garantir que tornamos esta organização tão eficaz, eficiente em termos de custos e capaz de responder às pessoas que servimos”, afirmou. “Mas estas são duas coisas separadas, frisou”.

De acordo com a Devex, as propostas norte-americanas incluem a revisão do sistema de pensões da ONU, o fim de viagens em classe executiva de longa distância para alguns quadros superiores e intermédios, novos cortes nos cargos de topo e uma redução de 10% em missões de manutenção de paz consideradas pouco eficazes.

As exigências incluem também limitar a capacidade da China de canalizar dezenas de milhões de dólares por ano para um fundo discricionário associado ao gabinete do secretário-geral, numa tentativa de reduzir a influência de Pequim dentro da organização.

Até ao momento, a missão dos Estados Unidos junto da ONU não comentou estas informações. Ainda assim, Washington tem reiterado a intenção de pressionar a organização a implementar reformas, depois de, ao longo deste ano, se ter retirado de várias estruturas das Nações Unidas e de ter reduzido o financiamento em milhões de dólares no ano passado.

A questão do financiamento tem sido uma das principais preocupações da liderança da ONU. Em janeiro, Guterres alertou que a organização enfrentava um “colapso financeiro iminente” devido ao não pagamento de contribuições, sendo a maior parte da dívida atribuída aos Estados Unidos.

Segundo dados divulgados pela própria ONU em fevereiro, os Estados Unidos tinham pago cerca de 160 milhões de dólares de um total superior a 4 mil milhões de dólares em dívida à organização.

António Guterres, secretário-geral da ONU
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