O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, diz que os montantes em dívida pelos Estados Unidos à organização são “inegociáveis”, reagindo assim a notícias de que Washington poderá estar a condicionar o pagamento a reformas internas na ONU.Segundo a Reuters, Guterres sublinhou que as contribuições em causa são obrigações dos Estados-membros. “O dinheiro de que estamos a falar refere-se a contribuições obrigatórias. As contribuições obrigatórias são uma obrigação dos Estados-membros. São inegociáveis”, declarou aos jornalistas.As declarações surgem após a divulgação, pela publicação especializada Devex, de que os Estados Unidos terão apresentado um conjunto de nove reformas prioritárias como condição para libertar mais financiamento para a ONU. Entre essas exigências estão cortes adicionais de custos e medidas para contrariar a influência da China na organização.O antigo primeiro-ministro português reconheceu que a ONU tem vindo a desenvolver esforços de reforma, em particular sob pressão de vários Estados-membros, incluindo os Estados Unidos, mas fez questão de separar os dois temas. “Faremos o nosso melhor para garantir que tornamos esta organização tão eficaz, eficiente em termos de custos e capaz de responder às pessoas que servimos”, afirmou. “Mas estas são duas coisas separadas, frisou”.De acordo com a Devex, as propostas norte-americanas incluem a revisão do sistema de pensões da ONU, o fim de viagens em classe executiva de longa distância para alguns quadros superiores e intermédios, novos cortes nos cargos de topo e uma redução de 10% em missões de manutenção de paz consideradas pouco eficazes.As exigências incluem também limitar a capacidade da China de canalizar dezenas de milhões de dólares por ano para um fundo discricionário associado ao gabinete do secretário-geral, numa tentativa de reduzir a influência de Pequim dentro da organização.Até ao momento, a missão dos Estados Unidos junto da ONU não comentou estas informações. Ainda assim, Washington tem reiterado a intenção de pressionar a organização a implementar reformas, depois de, ao longo deste ano, se ter retirado de várias estruturas das Nações Unidas e de ter reduzido o financiamento em milhões de dólares no ano passado.A questão do financiamento tem sido uma das principais preocupações da liderança da ONU. Em janeiro, Guterres alertou que a organização enfrentava um “colapso financeiro iminente” devido ao não pagamento de contribuições, sendo a maior parte da dívida atribuída aos Estados Unidos.Segundo dados divulgados pela própria ONU em fevereiro, os Estados Unidos tinham pago cerca de 160 milhões de dólares de um total superior a 4 mil milhões de dólares em dívida à organização..ONU quer saber quando é que os EUA começam a pagar a sua dívida