A Ucrânia apresentou uma proposta à Rússia, através de mediadores norte-americanos, de um cessar-fogo nos ataques contra as infraestruturas energéticas de ambos os países, anunciou na segunda-feira, 6 de abril, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky."Se a Rússia estiver disposta a parar de atacar o nosso setor energético, nós também estaremos. E esta nossa proposta — transmitida através dos americanos — já foi comunicada à Rússia", afirmou Zelensky no seu pronunciamento diário.Zelensky tinha acusado no sábado a Rússia de intensificar os seus ataques contra a Ucrânia em vez de responder à sua proposta de uma trégua durante o período da Páscoa ortodoxa.Moscovo, por sua vez, comentou que não tinha visto "nenhuma iniciativa claramente formulada" por parte de Kiev, ao mesmo tempo que prossegue os seus bombardeamentos diários contra o país vizinho.“Neste momento, é claro, o mercado petrolífero e os mercados globais em geral estão em crise devido à situação não resolvida em torno do Irão. Os países produtores de petróleo — e a Rússia está entre eles — podem agora lucrar mais. E os nossos drones e mísseis estão a limitar a Rússia neste aspeto”, observou na segunda-feira o presidente ucraniano, citado pela agência Ukrinforme.Zelensky agradeceu também aos parceiros que continuam a exercer pressão, incluindo sanções, a apreensão de petroleiros e restrições ao fornecimento de equipamento moderno à Rússia.“Tudo o que os russos conseguirem arrecadar com o choque dos preços do petróleo vão gastá-lo na guerra. Essa prioridade deles ainda não mudou. Portanto, qualquer restrição que impusermos à sua capacidade de exportar petróleo é a medida certa. Se a Rússia estiver disposta a cessar os ataques ao nosso setor energético, estaremos dispostos a responder da mesma forma”, insistiu.Segundo o presidente ucraniano, na última semana, a Rússia lançou mais de 2.800 drones de ataque, cerca de 1.350 bombas planadoras de alta potência e acima de 40 mísseis de vários tipos.Esta terça-feira, 7 de abril, pelo menos quatro pessoas morreram na sequência de um ataque ucraniano com drones contra a região russa de Belgorod, a cerca de 200 quilómetros a leste de Moscovo.Moscovo acusou também a Ucrânia de danificar o terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em Novorossiysk, um porto russo no Mar Negro.O Ministério da Defesa russo alegou que Kiev procura desestabilizar o mercado global de hidrocarbonetos e interromper o fornecimento de produtos petrolíferos aos consumidores europeus.Este terminal facilita a exportação de petróleo através do oleoduto CPC, um dos maiores do mundo, que tem origem nos campos petrolíferos do Cazaquistão e atravessa a Rússia até ao Mar Negro.Entre os acionistas do CPC estão as gigantes petrolíferas norte-americanas Chevron e ExxonMobil.Sem mencionar o terminal CPC, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) afirmou esta terça que atacou, em conjunto com unidades das forças armadas, o terminal petrolífero de Cheskharis, também localizado no porto de Novorossiysk.Segundo a entidade ucraniana, o complexo de Cheskharis é "um dos mais importantes complexos de transbordo de petróleo e derivados do sul da Rússia"A Ucrânia tem atacado repetidamente terminais de carregamento de petróleo no Mar Negro e no Mar Báltico, utilizados pela Rússia para exportar petróleo bruto, bem como os petroleiros associados à chamada “frota fantasma” russa, usada para contornar as sanções internacionais.Kiev ameaça minar a capacidade de refinação, armazenamento e exportação de petróleo para reduzir o combustível disponível para as forças armadas e as receitas de Moscovo para alimentar o esforço de guerra.Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados unidos e Israel contra o Irão, as negociações entre as partes promovidas pelos Estados Unidos não têm conhecido avanços nas últimas semanas.A última ronda trilateral foi realizada em Genebra, Suíça, em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito..Aliados pedem a Kiev para suspender ataques contra refinarias russas