Governo português exclui suspender Schengen com Espanha mas vai reforçar fronteiras

Milhares de pessoas avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos para passar ou tentar passar para o enclave espanhol a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios.
Governo português exclui suspender Schengen com Espanha mas vai reforçar fronteiras
EPA/REDUAN DRIS

Itália esclarece: cidadãos europeus poderão continuar a entrar livremente

O governo italiano esclareceu entretanto a forma como irá fazer o controlo fronteiriço dos cidadãos que cheguem de Espanha: serão controlos aleatórios a turistas que não pertençam à União Europeia.

“O restabelecimento dos controlos de acesso nas fronteiras aéreas e marítimas com Espanha não levará a nenhuma mudança para os viajantes espanhóis ou europeus até Itália, que continuarão a poder entrar no nosso país, como sempre, sem nenhum trâmite adicional”, segundo um esclarecimento do Governo italiano.

PM: "Há razão para reforçar o controlo de fronteiras"

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, declarou esta tarde que "há razões para reforçar o controlo de fronteiras".

Falando aos jornalistas em Vila do Conde, o chefe do Governo lamentou as mortes registadas e toda a situação que se está a viver em Ceuta. Tal como o ministro dos Negócios Estrangeiros, excluiu a possibilidade de suspender o acordo de Schengen com Espanha, mas admitiu que é necessário aumentar o controlo das fronteiras, especialmente marítimas.

"A questão é grave mas não é preciso histeria", disse o primeiro-ministro, afirmando que as medidas a tomar devem sê-lo de forma "ponderada".

"É necessário evitar políticas que não tenham um efeito chamada", continuou, "até para proteção dos próprios migrantes. Eu já dizia isto antes de ser primeiro-ministro."

"Não se justifica fazer mais"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que não considera necessário "neste momento" aumentar o controlo de fronteiras com Espanha neste momento e que "a situação parece controlada".

"Não se justifica fazer mais", afirmou Rangel em declarações à SIC Notícias.

O governante garantiu estar em contacto permanente com o governo espanhol.

"Suspender Schengen não é medida necessária", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, que fez ainda questão de realçar o facto de "quase 50 mil pessoas terem já regressado a Marrocos".

O governante reconheceu que está a passar-se uma crise migratória, mas realçou que esta ocorre num local sem fronteiras terrestres com Portugal, em África, e que a deslocação destas pessoas para território continental espanhol implicaria um duplo controlo.

Governo italiano suspende acordo Schengen com Espanha

Itália suspendeu o acordo de livre circulação de pessoas -- acordo de Schengen -- com Espanha por causa da crise dos migrantes em Ceuta.

O Executivo liderado por Georgia Meloni não confia na capacidade das autoridades espanholas para controlar a situação dos migrantes, apesar de não ter fronteiras terrestres com Espanha.

Assim, todos os viajantes por ar e mar provenientes deste país voltarão a ser controlados na entrada em território italiano.

Governo espanhol diz que 48.300 marroquinos voltaram para trás

Números atualizados. Executivo espanhol atualizou número de migrantes que entretanto já terão voltado para Marrocos, segundo a imprensa espanhola.

Serão já mais de 48.300 os migrantes que entram ilegalmente em Ceuta e que entretanto já regressaram a terreno marroquino, de acordo com as autoridades espanholas.

UE nega deslocações de pessoas de Ceuta para a Europa continental

O comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, negou esta sexta-feira que estejam a ocorrer deslocações de pessoas de Ceuta para o continente europeu, classificando, contudo, a situação na cidade autónoma espanhola como "inaceitável".

"A situação em Ceuta é inaceitável. Continuo em estreito contacto com as autoridades espanholas. Reitero que não estão a verificar-se deslocações para o continente europeu nem para outros Estados-membros", escreveu Brunner nas redes sociais, recordando que o Código das Fronteiras Schengen "estabelece regras específicas" para as cidades autónomas espanholas.

O comissário saudou ainda a "estreita cooperação entre Espanha e Marrocos na gestão da situação e na garantia de retornos rápidos", lembrando que Marrocos integra a lista da União Europeia (UE) de países de origem seguros.

Brunner acrescentou que a Comissão Europeia "continuará a trabalhar com as autoridades espanholas para assegurar uma utilização eficaz dos instrumentos disponíveis" no âmbito da política migratória, através das suas agências.

"Estou disponível para me deslocar aos pontos críticos, uma vez que a situação está em constante evolução. A nossa prioridade imediata é apoiar Espanha na proteção e gestão da fronteira externa da UE de forma eficaz e ordeira", acrescentou.

Nesse apoio, especificou, inclui-se "o combate às redes de tráfico de migrantes e a prevenção de viagens perigosas".

Lusa

37.500 imigrantes ilegais já terão regressado a Marrocos

As últimas informações do Ministério do Interior espanhol indicam, segundo o jornal El Mundo, que 37.500 pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta nas últimas horas já regressaram a Marrocos.

Recorde-se que as extimativas do presidente de Ceuta apontavam para a entrada ilegal de 60 mil pessoas nos últimos dois dias.

Mais de 50 corpos recuperados

Pelo menos 57 pessoas morraram a tentar chegar a Ceuta nos últimos dias, segundo avança o jornal El País, acrescentando que o número de vítimas poderá aumentar nas próximas horas, já que estão em curso operações de busca na fronteitas daquele enclave espanhol com Marrocos.

Trump usa crise em Ceuta para criticar políticas de imigração

Donald Trump classificou esta sexta-feira como "terrível" a situação migratória em Ceuta e afirmou que os Estados Unidos poderão enfrentar um cenário semelhante caso o Partido Democrata vença as eleições presidenciais de 2028.

"É terrível. Lembrem-se dessa imagem. É assim que estaremos daqui a três anos se o lado errado ganhar", afirmou o presidente norte-americano, em entrevista à estação televisiva Fox News.

Já o vice-presidente, JD Vance, congratulou-se com a eleição de Trump. "As nossas fronteiras já não se parecem com isto", escreveu no X. "Estas imagens vindas de Espanha são um infeliz lembrete das consequências da migração em massa e das políticas globalistas radicais de esquerda que tornaram possível a invasão do Ocidente", acrescentou.

Von der Leyen diz que imagens vindas de Ceuta são inaceitáveis

A presidente da Comissão Europeia classificou hoje como inaceitáveis as imagens provenientes do enclave espanhol de Ceuta, onde terão chegado cerca de 49.000 migrantes vindos de Marrocos desde quinta-feira, segundo estimativas iniciais.

“As imagens vindas de Ceuta são inaceitáveis. Não podemos permitir que ninguém venha para a nossa União [Europeia] sem cumprir as nossas regras”, referiu Ursula von der Leyen, numa mensagem divulgada nas redes sociais.

A líder do executivo comunitário sublinhou que as redes de tráfico de seres humanos têm de ser desmanteladas, apelando ainda à execução rápida dos retornos de migrantes indocumentados.

Von der Leyen adiantou também que dois comissários europeus estão a acompanhar a situação: Magnus Brunner, com a pasta da Administração Interna e Migração, e Dubravka Suica, com a do Mediterrâneo.

Brunner tem por missão dar apoio operacional adicional a Espanha, inclusive através da Frontex (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira) e Suica está em contacto com o seu Governo marroquino.

“Estou confiante de que a nossa estreita parceria com Marrocos ajudará a alcançar resultados concretos”, acrescentou Von der Leyen.

Lusa

Governo espanhol eleva para 41 o número de mortos

A Delegação do Governo espanhol em Ceuta atualizou para 41 o número de pessoas que morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar entrar na cidade espanhola de Ceuta a nado desde Marrocos.

O presidente de Ceuta, Juan Vivas, afirmou já esta sexta-feira que o número de migrantes que entraram na cidade nas últimas horas é de 60 mil. Fontes do Ministério do Interior estimam que cerca de 25 mil já regressaram voluntariamente a Marrocos até ao meio-dia.

Governo português acompanha situação com "grande preocupação"

O Governo português diz seguir, em articulação com os parceiros europeus, "com grande preocupação a crise migratória em Espanha".

"Desde a primeira hora, o Governo tem sido informado pelo Governo espanhol, o qual tem dado garantias de que, em estreita coordenação e cooperação com as autoridades marroquinas, fará reverter o fluxo de milhares de pessoas nestas semanas e, em especial, nos últimos dois dias", indicou o executivo em nota enviada às redações.

O Governo reafirma que "a integridade do sistema Schengen depende de um rigoroso controlo de fronteiras e do combate determinado a todas as formas de imigração ilegal" e revela que se mantém em "contacto permanente com os Governos de Espanha e Marrocos. Neste âmbito, as autoridades portuguesas, designadamente a GNR e a Polícia Marítima, estão articuladas com as autoridades congéneres espanholas e a agir em concertação".

Pelo menos 34 pessoas morreram afogadas

Pelo menos 34 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar entrar na cidade espanhola de Ceuta a nado desde Marrocos, segundo o autarca local, Jesús Vivas.

Milhares de pessoas acorreram à fronteira terrestre e de mar de Marrocos com Ceuta para tentarem entrar no enclave espanhol no norte de África.

Segundo as primeiras estimativas das autoridades policiais espanholas, citadas por diversos meios de comunicação de Espanha, podem ter cruzado para Ceuta cerca de 49 mil pessoas desde quinta-feira.

Sánchez fala em "atentado à integridade de Espanha"

O primeiro-ministro espanhol descreveu a chegada de milhares de migrantes a Ceuta esta sexta-feira como "um atentado à integridade de Espanha".

Num comunicado oficial da cidade autónoma, Pedro Sánchez evitou culpar Marrocos, tendo até elogiado a "cooperação" do país do norte de África nos esforços de repatriamento.

Em sentido contrário, o líder do Governo sugeriu que a causa desta "avalanche" é a "interpretação conveniente" da decisão do Supremo Tribunal por "máfias de tráfico de pessoas".

Sánchez refere a decisão judicial que exclui das circunstâncias em que os estrangeiros têm a entrada negada para "impedir a sua entrada ilegal" aqueles que chegam sem "ultrapassar as medidas de controlo fronteiriço".

O Governo de Espanha não avançou até agora com um número oficial.

EPA/REDUAN DRIS

Itália quer Espaço Schengen fechado a Espanha

O Governo de Itália já pediu para que o Espaço Schengen seja fechado a Espanha, uma proposta apoiada pela Finlândia.

"Espanha falhou completamente em proteger a fronteira externa do Espaço Schengen contra incursões. Isso não pode continuar. Países que não cumprem sua obrigação de proteger as suas fronteiras externas não podem ser membros do espaço Schengen", escreveu a ministra do Interior Mari Rantanen, membro da direita populista finlandesa.

Chega pede suspensão temporária do acordo de Schengen com Espanha

Por cá, o Chega pediu esta sexta-feira a suspensão temporária do acordo de Schengen com Espanha.

O partido liderado por André Ventura anunciou que vai lançar uma iniciativa que propõe a suspensão temporária do acordo que permite a livre circulação de pessoas entre os países.

O Chega exige ainda a “reposição imediata do controlo nas fronteiras terrestres com Espanha”.

EPA/REDUAN DRIS

Vivem em Ceuta cerca de 83.000 pessoas, de acordo com os censos mais recentes da população.

Depois dessa avalanche humana que acorreu à fronteira e entrou em Ceuta, sobretudo na quinta-feira a partir do meio-dia, os meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local estão a relatar que centenas ou até milhares de pessoas estão a regressar a Marrocos.

"Milhares de marroquinos regressam ao seu país. A massa mudou de direção. Agora são milhares os que se avistam na praia marroquina a caminho da sua terra, enquanto os últimos que pretendiam entrar em Espanha estão a fazê-lo entre gritos, por água. São infinitamente mais os que saem do que os que entram agora. A situação parece normalizar-se na fronteira", escreveu o jornal El Pais no local por volta das 11:00 locais (10:00 em Lisboa).

Também imagens transmitidas pelas televisões espanholas mostram que centenas de pessoas estão a regressar ao lado marroquino.

Ceuta viveu uma crise semelhante em 2021, mas o número de entradas foi substancialmente menor, 10.000 pessoas em 48 horas.

Os meios de comunicação social com jornalistas no lado marroquino da fronteira, na cidade de Fnideq, relataram que houve esta sexta-feira de manhã "confrontos violentos" na zona, envolvendo centenas de pessoas que tentavam cruzar para o lado espanhol.

O Governo de Espanha enviou as Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na "manutenção da segurança na cidade", assim como um reforço de meios das forças de segurança.

EPA/REDUAN DRIS

Por seu lado, as autoridades marroquinas reforçaram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.

Os dois governos asseguraram na quinta-feira existir uma boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.

"As redes de tráfico de pessoas estão a instrumentalizar uma sentença judicial para fomentar o fluxo de migrantes sem documentos, maioritariamente jovens", disse na quinta-feira o Ministério da Administração Interna (MAI) espanhol, num comunicado sobre a situação em Ceuta.

JALAL MORCHIDI/EPA

Relatos de migrantes falam num "efeito chamada" desencadeado por uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha do início deste mês segundo a qual pessoas que chegam ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado.

Essa entrega a autoridades de outro país só se pode aplicar a quem entra em Espanha "superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações", decidiu o tribunal.

Os partidos de oposição de direita e extrema-direita de Espanha estão também a culpar o governo do socialista Pedro Sánchez por esta crise, apontando políticas como o processo extraordinário de regularização de estrangeiros que já vivem no país que está neste momento em curso.

O Governo já sublinhou que este processo não pode ser responsável pelo que está a acontecer em Ceuta, uma vez que só se pode aceder à regularização extraordinária pessoas que já vivem e trabalham no país.

*Com Lusa

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Crise migratória: milhares de imigrantes cruzam ilegalmente fronteira entre Marrocos e Ceuta
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