O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou esta sexta-feira, 20 de março, um novo processo contra a Universidade de Harvard. Alega que a instituição falhou a lidar com o antissemistismo no campus e a proteger os estudantes judeus e israelitas, o que, defende, lhe dá argumentos para congelar verbas e procurar obter o reembolso de valores já pagos, que ascendem a milhares de milhões de dólares“Os Estados Unidos não podem nem irão tolerar estas falhas e movem esta ação para obrigar Harvard a cumprir” a lei federal dos direitos civis “e para recuperar milhares de milhões de dólares em subsídios pagos pelos contribuintes a uma instituição discriminatória”, escreveu o Departamento de Justiça no processo, segundo a Associated Press.Na queixa, o Departamento de Justiça sustenta que Harvard permanece deliberadamente indiferente à hostilidade no seu campus e recusa-se a aplicar as suas regras quando as vítimas são judeus ou israelitas."Isto enviou uma mensagem clara à comunidade judaica e israelita de Harvard de que a indiferença não foi um acidente; estavam a ser intencionalmente excluídos e efetivamente privados de igualdade de acesso a oportunidades educativas", defende, de acordo com a G~encia Reuters.A administração Trump tem travado uma já longa batalha com esta e outras universidades. Acusa-as de estarem dominadas pela ideologia de esquerda e pelo antissemitismo.Há cerca de dois meses, Donald Trump afirmou que a sua administração estava a pedir mil milhões de dólares a Harvard para encerrar as investigações sobre as políticas da universidade.Num outro processo, datado de 13 de fevereiro, o governo norte-americano acusa Harvard de não cooperar com uma investigação federal e solicitou documentos para determinar se a universidade considerou ilegalmente a raça nos seus processos de admissão.Há cerca de um ano, o governo ordenou o congelamento de 2,3 mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros) em verbas federais para Harvard, em retaliação à recusa da universidade em aceitar uma série de exigências da administração, incluindo supervisão direta sobre o corpo docente, currículo e admissão de estudantes.Donald Trump assinou também uma ordem executiva que suspendia a autorização da Universidade de Harvard para matricular estudantes estrangeiros e que suspendia por seis meses a entrada no país de novos estudantes internacionais aceites por Harvard, acusando a universidade de “radicalismo” e “ligações estrangeiras preocupantes”. Ambas foram bloqueadas pelos tribunais.