Funeral das 69 vítimas de acidente ferroviário em Espanha será dia 12 em Toledo
O funeral das 69 vítimas do acidente ferroviário em Urda, Espanha, será realizado na catedral de Toledo no dia 12, às 19:00 locais (18:00 em Lisboa).
“Toda a arquidiocese de Toledo” participará no funeral para “rezar pelas vítimas e acompanhar as famílias, que estão nos nossos corações”, referiu esta quarta-feira, 4 de novembro, o arcebispo de Toledo, Francisco Cerro Chaves, em conferência de imprensa.
Será ele a presidir ao funeral, que contará com a presença dos cinco bispos de Castela-La Mancha e do presidente da Conferência Episcopal espanhola, Luis Javier Argüello. Também os reis marcaram presença nas cerimónias fúnebres, depois de já ter visitado os feridos que se encontravam internados no dia após a tragédia.
O acidente ferroviário em Urda (Toledo), no qual colidiram dois comboios de alta velocidade, a 28 de outubro, provocou 69 mortos e 110 pessoas feridos. A tragédia resultou também na demissão do ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, na terça-feira, 3.
"Com a sua renúncia, Oscar Puente ajuda Espanha a recuperar não só a confiança no nosso sistema ferroviário, mas também na dignidade política", considerou Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha, esta quarta-feira, numa declaração a partir do Palácio da Moncloa, em Madrid.
A demissão do ministro foi pedida, na última semana, por quase todas as forças políticas representadas no parlamento, de esquerda e de direita e incluindo aliados dos socialistas no Governo e no Congresso dos Deputados.
Após quatro horas de audição no parlamento na terça-feira, Oscar Puente anunciou a demissão aos deputados e invocou o exemplo do antigo ministro português e dirigente do PS Jorge Coelho, em 2001, com o acidente da ponte de Entre-os-Rios, em que morreram 59 pessoas.
"Usou então uma frase que quero fazer minha: a culpa não pode morrer solteira", disse Oscar Puente, que nos seis dias anteriores tinha rejeitado demitir-se e afirmado que o seu dever e responsabilidade era manter-se no cargo, esclarecer o ocorrido e apresentar soluções.
Na terça-feira garantiu que, porém, tomou a decisão de se demitir logo após o acidente em Urda.
Um ministro dos Transportes “de um país como Espanha não pode continuar no cargo com dois acidentes dessa gravidade em menos de um ano, por mais diferentes que sejam e tenha ou não responsabilidade direta neles", afirmou, fazendo referência à tragédia de Adamuz, em janeiro, em que morreram 46 pessoas.
Sánchez anunciou que o primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, assumirá transitoriamente, até às eleições, a pasta dos Transportes, na sequência da demissão de Oscar Puente.
Para o Partido Popular (PP, direita), que lidera a oposição, a demissão é "um teatrinho" a menos de um mês das eleições legislativas espanholas de 29 de novembro e foi motivada pelas sondagens, que antecipam a vitória da direita e o fim dos governos socialistas após oito anos.

