A França criticou esta terça-feira, 27 de janeiro, a várias vozes Mark Rutte depois do secretário-geral da NATO ter afirmado no dia anterior que a Europa não se podia defender sem os Estados Unidos. “Não, caro Mark Rutte. Os europeus podem e devem assumir o controlo da sua própria segurança”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, no X. “Até os Estados Unidos concordam. É o pilar europeu da NATO”.Falando na segunda-feira nas comissões de Defesa e Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, o neerlandês afirmou que “se alguém pensa, mais uma vez, que a União Europeia, ou a Europa no seu todo, se pode defender sem os EUA, pode continuar a sonhar. Não pode. Nós não podemos. Precisamos uns dos outros”. Falando ainda sobre uma Força de Defesa Europeia, conceito relançado pelo comissário Andrius Kubilius, Rutte notou que existirá “muita duplicação”, desejando aos europeus “boa sorte se quiserem fazer isto”, e referindo ainda que ““pilar europeu [da NATO] é uma expressão algo vazia”.Nathalie Loiseau, antiga ministra francesa dos Assuntos Europeus e atual eurodeputada integrante da comissão onde o secretário-geral da NATO fez estas declarações, também não foi parca em críticas. “Foi um momento vergonhoso. Rutte pensa que ser grosseiro com os europeus vai agradar a Trump. Não precisamos de um fanático de Trump. A NATO precisa de reequilibrar os esforços entre os EUA e a Europa”, afirmou ontem, citada pelo Politico. A ministra das Forças Armadas Catherine Vautrin também alinhou pelo mesmo discurso, embora não mencionando Rutte, dizendo à RTL France que “o que vemos hoje é a necessidade do pilar europeu da NATO”, referindo ainda que “os Estados Unidos são aliados, mas nem sempre estamos alinhados”.Já Muriel Domenach, antiga embaixadora de França junto da NATO, usou o X para questionar as declarações de Mark Rutte. “Com todo o respeito ao secretário-geral da NATO, isto não é: essa também não é a pergunta certa - não se trata de saber se a Europa pode, mas sim se e como deve dissuadir qualquer ataque e defender-se sozinha, se necessário - nem a resposta correta: brandir a fraqueza europeia para assegurar a garantia dos EUA é um pensamento ultrapassado e envia a mensagem errada à Rússia”.Na sexta-feira, os EUA publicaram a sua nova Estratégia de Defesa Nacional, que deixa claro que “embora a Europa continue a ser importante, a sua participação no poder económico global é menor e está a diminuir”. “Consequentemente, embora os EUA se mantenham empenhados na Europa, devem, e irão, dar prioridade à defesa do território americano e à dissuasão da China.” Paralelamente, o documento do Pentágono afirma que a Europa é económica e militarmente capaz de se defender, notando que “Moscovo não está em condições de tentar alcançar a hegemonia europeia. A NATO europeia supera a Rússia em escala económica, população e, portanto, em poder militar latente”. Mas assegura que os EUA “continuarão também a desempenhar um papel vital na própria NATO, mesmo enquanto calibramos a postura e as atividades das forças americanas no teatro europeu para melhor ter em conta a ameaça russa aos interesses americanos, bem como as capacidades dos nossos aliados”.Esta nova estratégia mostra que entre as prioridades dos EUA está a Gronelândia, com o Pentágono a dizer que “proporcionará, por conseguinte, ao presidente opções credíveis para garantir o acesso militar e comercial dos EUA a terrenos estratégicos, desde o Ártico à América do Sul, especialmente à Gronelândia, o Golfo da América e o Canal do Panamá”.Os primeiros-ministros da Dinamarca e da Gronelândia estiveram esta terça-feira em Berlim com o chanceler alemão Friedrich Merz, estando previsto que esta quarta-feira sejam recebidos em Paris por Emmanuel Macron, numa tentativa de reforçar o apoio para contrariar a pressão de Donald Trump para controlar da ilha. Segundo o gabinete da dinamarquesa Mette Frederiksen, ela e Jens-Frederik Nielsen pretendem discutir nestes encontros “a atual situação da política externa e a necessidade de uma Europa reforçada”..Trump cancela tarifas à Europa após conseguir de Rutte princípio de acordo para o Ártico.PM dinamarquesa pede unidade perante "situação grave" durante visita à Gronelândia