Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH RESTRICTIONS

Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente

Porta-voz do Exército do Irão sustentou que, de acordo com "fontes internacionais fiáveis", mais de 228 instalações e posições militares dos EUA na região sofreram danos graves ou foram destruídas.
Publicado a: 
Atualizado a: 

O Exército iraniano advertiu este sábado, 7 de novembro, que não permitirá a reconstrução das bases militares norte-americanas no Médio Oriente, afirmando que mais de duas centenas de instalações e posições dos EUA sofreram danos ou foram destruídas durante a guerra.

"Nunca permitiremos que as bases do inimigo sejam reconstruídas na região", afirmou o porta-voz do Exército iraniano, o brigadeiro-general Mohamad Akraminia, de acordo com a agência Fars.

O militar sustentou que, de acordo com "fontes internacionais fiáveis", mais de 228 instalações e posições militares norte-americanas na região sofreram danos graves ou foram destruídas.

Akraminia assegurou ainda que já não restam bases norte-americanas na região com capacidade para realizar operações militares, o que obriga Washington a abastecer os navios com combustível e as tropas com mantimentos a partir de fora do Médio Oriente.

As declarações surgem depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter confirmado na sexta-feira à noite novos ataques de alcance limitado contra sistemas de defesa antiaérea iranianos, que descreveu como operações menores.

Por seu lado, os meios de comunicação oficiais iranianos informaram que foram ouvidas duas explosões na zona de Suza, na ilha de Qeshm, situada no estratégico estreito de Ormuz, e citaram testemunhas que afirmaram que dois projéteis atingiram a ilha após terem ouvido o sobrevoo de uma aeronave.es

Forças armadas iranianas afirmam estar "mais poderosas" do que no início da guerra

As forças armadas iranianas afirmaram este sábado estar "mais poderosas" do que no início da guerra, declarando-se prontas para responder a qualquer ataque de forma imediata e "sem limites geográficos", na sequência das recentes ameaças norte-americanas.

Embora as negociações diplomáticas para evitar uma retoma das hostilidades se tenham intensificado recentemente, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém em aberto a possibilidade de novos bombardeamentos sobre a República Islâmica.

"As forças armadas da República Islâmica encontram-se este sábado num estado de alerta mais elevado e são mais poderosas do que eram no início da guerra", declarou o porta-voz do exército, Mohammad Akraminia, citado pela agência oficial Irna.

"Por ordem do Guia Supremo, qualquer resposta das forças armadas será imediata, eficaz e sem limites geográficos", acrescentou.

Na noite de sexta-feira para sábado, a televisão estatal iraniana voltou a dar notícia de duas explosões na ilha de Qeshm, tendo a agência Tasnim referido, por seu lado, dois mísseis que a teriam atingido.

Sem confirmar, o exército do Irão, citado pelos meios de comunicação iranianos, indicou pouco depois ter destruído um drone militar norte-americano nesta ilha situada no estreito de Ormuz.

Qeshm já tinha sido alvo de bombardeamentos limitados na madrugada de terça-feira, pouco antes das eleições intercalares nos Estados Unidos, que se traduziram num revés contundente para Donald Trump.

"Estamos a realizar ataques de menor envergadura", reconheceu ainda o Presidente norte-americano na sexta-feira à noite, sem especificar se se referia a novos ataques ou aos do início da semana.

O republicano reconheceu que a guerra no Médio Oriente, que fez disparar os preços da energia desde o início, no final de fevereiro, explicava em parte a vitória dos democratas, ao mesmo tempo que assegurava que era "a única solução": "Não podemos deixar que o Irão tenha a arma nuclear", afirmou na terça-feira à noite.

O exército norte-americano anunciou na sexta-feira que oferecia uma recompensa de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) "e uma possível mudança de residência" a qualquer pessoa que lhe fornecesse informações sobre o programa nuclear iraniano. Teerão sempre negou querer dotar-se de armas atómicas, defendendo o direito à energia nuclear civil.

Após uma série de recentes ameaças israelo-americanas, as negociações diplomáticas para evitar o reinício das hostilidades intensificaram-se recentemente sob a mediação do Qatar.

Donald Trump conversou na sexta-feira com o emir do Qatar, enquanto o chefe da diplomacia iraniana multiplicou os contactos esta semana com os homólogos do Golfo.

O principal tema das discussões é o controlo do estreito de Ormuz, onde o Irão afirma regularmente que os navios são destruídos por minas.

O porta-voz militar reiterou este sábado que as forças iranianas só desbloqueariam esta passagem estratégica para o comércio de hidrocarbonetos se os Estados Unidos aceitassem as condições impostas por Teerão.

O Irão já se mostrou disposto a reabrir Ormuz caso Washington aceite uma série de medidas, tais como um cessar-fogo em todas as frentes da região, o desbloqueio dos ativos detidos no estrangeiro, o levantamento das sanções que afetam o setor petrolífero, bem como o fim do bloqueio naval norte-americano contra os portos iranianos. Os Estados Unidos têm-se recusado a fazê-lo.

Sem clareza sobre a estratégia do Presidente norte-americano em relação à República Islâmica após a derrota eleitoral de terça-feira, o líder supremo, o aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu desde então que o conflito no Médio Oriente se alastraria se os Estados Unidos retomassem os ataques contra a República Islâmica.

No entanto, descartou qualquer possibilidade de mudança na política norte-americana, considerando que aqueles que esperavam essa mudança "estavam profundamente enganados"

Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente
Shirin Ebadi: “Se eu estivesse no Irão neste momento seria completamente inútil”
Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente
Trump prevê acordo com Irão apesar de novo ataque militar dos EUA
Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente
Irão reabre Ormuz em dois dias se EUA aceitar condições
Exército iraniano avisa que não vai permitir que EUA reconstruam bases no Médio Oriente
Irão: Dois petroleiros colidem com minas em Ormuz, quando decorrem negociações de paz