Um outdoor de campanha eleitoral com uma imagem do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a frase em hebraico "Ou a Direita ou a Palestina".
Um outdoor de campanha eleitoral com uma imagem do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a frase em hebraico "Ou a Direita ou a Palestina".FOTO:EPA/ABIR SULTAN

Ex-diretor dos serviços secretos israelitas processa Netanyahu e revela alertas sobre ataque do 7 de Outubro

Ronen Bar acusa primeiro-ministro de difamação, depois de este o acusar de ter cometido crimes na forma como atuou antes do ataque do Hamas em 2023. Processo surge em vésperas das eleições de dia 27.
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O ex-diretor do Shin Bet (serviços secretos internos de Israel), Ronen Bar, interpôs uma ação judicial por difamação contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, noticiou esta quarta-feira (14 de outubro) a imprensa israelita.

Segundo alega na ação interposta na terça-feira (13 de outubro), Bar apresentou a Netanyahu dezenas de alertas entre novembro de 2022 e os dias que antecederam o ataque de 7 de outubro de 2023 a Israel, liderado pelo movimento islamita palestiniano Hamas, com a participação de outras milícias de Gaza, que causou cerca de 1200 mortos e 251 reféns.

Bar processou Netanyahu depois de este o acusar de ter cometido crimes na forma como atuou antes do ataque de 7 de outubro, que desencadeou, horas depois, a guerra de Israel na Faixa de Gaza.

Segundo o diário israelita Ynet, a documentação fornecida pelo antigo chefe dos serviços secretos internos visa demonstrar que o governo recebeu dezenas de advertências sobre uma possível escalada da ameaça do Hamas antes do ataque.

Bar exigiu também, segundo o jornal, que os documentos relacionados com os factos sejam tornados públicos, com o objetivo de esclarecer que informação chegou às autoridades e como estas reagiram antes da ofensiva.

“Na ausência de uma comissão de inquérito estatal, a verdade virá ao de cima nos tribunais”, afirmou o antigo responsável do Shin Bet, citado pelo Ynet.

Nos últimos meses, vários meios de comunicação social de Israel acusaram Netanyahu de ter sido alertado para o ataque antes da sua ocorrência, tanto pelo governo dos Emirados Árabes Unidos como pelos serviços secretos egípcios, alegações que o primeiro-ministro israelita nega e classifica como “calúnias de sangue”.

Embora órgãos de segurança como o Exército e o Shin Bet tenham realizado investigações internas sobre a falha de segurança que levou ao massacre, o governo de Netanyahu tem repetidamente bloqueado a criação de uma comissão estatal para investigação do ataque.

O processo de Ronen Bar contra Netanyahu surge em véspera das eleições legislativas de 27 de outubro, nas quais o primeiro-ministro espera conquistar mais um mandato.

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